Como nasce o texto I

 

       Como todos bem sabem, e se não sabem precisam saber, o texto não nasce do ovo, nem brota na terra, tampouco cai do céu. O texto é um produto, quase uma manufatura que se delineia pouco a pouco até ganhar forma, tamanho, cor e sabor. Uns custam mais do que outros para virem ao mundo, uns são mais ou menos aceitos, e todos despertam alguma reação em quem os lê, mesmo que seja uma reação de completa apatia. Riso, choro, choque, angústia e todas as outras emoções desfilam no rol dos efeitos produzidos por um texto, bem ou mal escrito. Se for bem escrito, tanto mais vivaz serão as emoções que ele provoca; se for mal escrito, só pode causar indignação, dúvida, susto ou coisas do gênero.

     Para um texto ser bom, antes ele precisa ser texto. Para ser texto, alguém precisa fazê-lo nascer. Este alguém é o autor, o dono do texto, é quem decide como será o texto. A matéria-prima do autor são as palavras, elas é que carregam o poder de traduzir idéias, sentimentos, informações e tudo o mais que o autor desejar ou necessitar. Obviamente nenhuma serventia têm as palavras se não houver conteúdo, qualquer que seja ele, importante ou não, sério ou tolo, urgente ou dispensável; a menos que se queira apenas jogar com as formas e os significados das palavras, mas essa é outra tarefa. 

Crônica

Oficinas culturais são sempre uma boa pedida. Em certa ocasião fiz um oficina de texto na Casa das Rosas, chamada Escrevivendo, com Karen Kipnis e Charles dos Santos.  Foi lá que escrevi “A moça famosa”, publicado um tempo depois no portal Comunique-se. Leia na página “Narrativas” e, se puder, faça a oficina, que tem um tema novo a cada edição.

Palavras sobre palavras

O que tanto cabe nos livros, nas revistas, nos gibis? O que tanto cabe no alfabeto? Quantas palavras desfilam pelos nossos olhos diariamente? Palavras, sempre as palavras, emaranhado de letras e sons, dotadas de significado ou não. Sim, o significado é por nossa conta, pois as palavras existem apesar de nós, de nosso olhar, dos livros, revistas e gibis. Mas que fazer se somos nós que damos legitimidade a cada uma delas! Um dia abri um dicionário e vi tantas palavras pregadas naquelas folhas fininhas, que me desesperei, e se caíssem todas daquele substrato tão frágil? Com o tempo percebi que a maioria daquelas palavras já tinha caído, só restava ali o espectro delas, ou o esqueleto, não distingui bem. Previ que outras cairiam, e seria assim para sempre, culpa de nós descuidados que não seguramos as palavras no lugar delas. A surpresa foi ver outras palavras chegando, umas meio esquisitas, outras desengonçadas, umas inúteis, outras até engraçadinhas, de todos os tipos e para todas as idades. Melhor assim, garantia de que o estoque de palavras não vai acabar. Que sorte que podemos pegá-las a qualquer momento para colocar nos livros, revistas e gibis! Já pensou que desespero sair às ruas de manhã e não ver nenhuma palavra, mundo mudo?