Palavrinhas mágicas

Aprendi com a minha mãe e depois a vida mostrou que ela estava coberta de razão, Existem palavras que são mágicas: “Bom dia”, “por favor”, “muito obrigada(o)”, “de nada”. Se as pessoas se dispusessem a sair de casa com essas palavrinhas no bolso, teríamos, sem sombra de dúvida, um mundo mais gentil, educado e agradável. As relações pessoais e sociais sempre geraram atritos na humanidade, mas parece-me que o caldo entornou. Com tanta pressa, perderam-se os bons modos. Parece que “o outro” é sempre um empecilho,  o próprio problema é mais urgente do que o do outro, interessa o que faz parte da sua vida e não o do outro. Com isso, vemos as pessoas se xingarem na rua, os carros buzinando até cansar, gente que só manda e não pede…quanta  irritação. As palavrinhas mágicas podem ser um remédio eficaz para salvar a humanidade; é lógico, melhor ainda se vierem acompanhadas de um sorriso e um olhar de simpatia.

Obrigada e bom dia a todos!

Palavras de um motorista

Estava saindo da garagem do prédio e um guincho tentava passar na rua. Um carro vinha no sentido contrário e, percebendo que não havia espaço para ele o guincho, encostou o veículo um pouco para o canto e parou, dando passagem ao maior. O motorista do guincho tirou a cabeça para fora da janela e desandou a gritar impropérios que não ouso reproduzir, achando que havia pouco espaço para ele. Ainda parada no portão da garagem, esperando aquilo tudo se resolver e sobrar um pouco de rua para mim, fiquei pasma. Depois segui meu caminho pensando o que teria irritado tanto aquele motorista.Alguém lhe deu passagem e ele xingou. Como não tinha razão, usou palavras igualmente sem razão. Palavras dessas são despejadas aqui e acolá todos os dias o tempo todo, quase displicentemente, embora sejam carregadas de intenção. Esse é o perigo das palavras, a intenção que lhes dá corpo. As tais palavras atingiram o outro condutor, gentil, logo nas primeiras horas da manhã e sabe-se lá que efeito tiveram ao longo do dia sobre essa pessoa. Isso me faz pensar que além da higiene bucal, devemos cuidar da higiene das nossas palavras,urgente.

Duas ou três palavras sobre as crianças

Criança não deve trabalhar. Criança não deve apanhar. Criança não deve ser abandonada. Criança não deve ser privada de carinho. Criança não deve ser maltratada. Criança não deve ser tratada como adulto … criança é criança e deve ser bem cuidada, orientada e amada. As palavras podem ajudar … ou atrapalhar. 

Todas essas palavras parecem óbvias, mas o mundo não é tão óbvio assim. Há crianças demais sendo submetidas a situações absurdas. Por quê? A sociedade humana está doente? Os adultos são os responsáveis pelas crianças, pelo que fazem com elas, pelo que dizem a elas. São as palavras que os mais velhos proferem que vão formar ou “de-formar” as crianças. Então há algo de errado com as palavras, só pode ser. Crianças devem ouvir palavras de carinho, carregadas de afeto; crianças precisam de palavras que as orientem nesse “mundo de meu-Deus”; crianças merecem palavras que expressem valores elevados. E por que não tem sido assim? Certamente há adultos que devem uma explicação para isso. Vamos pensar melhor nas palavras que falamos aos pequenos ou perto deles. Tem palavra para todas as intenções, portanto as palavras dos adultos são como varinhas de condão na mente das crianças. Cuidar das palavras dirigidas aos pequenos é uma responsabilidade que deve estar no topo da lista dos adultos. Quem sabe assim o mundo vai melhorando um pouco, vai ficando mais gentil, educado e amoroso com as crianças.

Pensar faz bem…

… para a alma, para o corpo, para a mente! Pensar é bom, não custa nada, só que às vezes os pensamentos saem todos atrapalhados. Aconteceu hoje, depois de mais de ano e meio, de eu me reclinar para pensar. Pensar em qualquer coisa fora da rotina e na própria rotina. Eis que os assuntos saíram de seus lugares, onde estavam estratificados, e se acotovelaram todos, trombaram aqui e acolá, queriam tomar a vez do outro, e nada, nada se organizou na minha mente. Mesmo assim foi bom para relaxar, pois os assuntos se movimentaram no cérebro e deu um alívio. Pensamentos são assim, precisam escapar, mesmo que de por poucos instantes. Se conseguirem ganhar a forma de palavras, então, que euforia. Como estava desacostumada dessa coisa de pensar os assuntos que não estão na agenda do dia – mas deveriam estar – precisei de estímulos, uma piscina cercada de árvores, ouvidos na conversa dos pássaros e duas ou três páginas de um livro maravilhoso “A Vida: Modo de Usar”, de Georges Perec. Quem recomendou foi minha amiga Alessandra há bastante tempo, mas só recentemente a Cia das Letras reeditou o dito cujo. Tentei antes a versão em francês, mas era francês demais para meu vocabulário humilde, para não dizer mínimo. Um deleite ler algo que foi planejado e escrito com a elaboração merecida, principalmente na minha condição de leitora diária de toda sorte de amontoado de palavras … ossos do ofício. Por tudo isso, pensar é bom; escrever, melhor ainda.
Vou reservar um tempo para os pensamentos que hoje se atrapalharam entrarem num consenso e se colocarem em fila, pois há de ter vez para todos!