Palavras de um motorista

Estava saindo da garagem do prédio e um guincho tentava passar na rua. Um carro vinha no sentido contrário e, percebendo que não havia espaço para ele o guincho, encostou o veículo um pouco para o canto e parou, dando passagem ao maior. O motorista do guincho tirou a cabeça para fora da janela e desandou a gritar impropérios que não ouso reproduzir, achando que havia pouco espaço para ele. Ainda parada no portão da garagem, esperando aquilo tudo se resolver e sobrar um pouco de rua para mim, fiquei pasma. Depois segui meu caminho pensando o que teria irritado tanto aquele motorista.Alguém lhe deu passagem e ele xingou. Como não tinha razão, usou palavras igualmente sem razão. Palavras dessas são despejadas aqui e acolá todos os dias o tempo todo, quase displicentemente, embora sejam carregadas de intenção. Esse é o perigo das palavras, a intenção que lhes dá corpo. As tais palavras atingiram o outro condutor, gentil, logo nas primeiras horas da manhã e sabe-se lá que efeito tiveram ao longo do dia sobre essa pessoa. Isso me faz pensar que além da higiene bucal, devemos cuidar da higiene das nossas palavras,urgente.

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