Banco de personagens: Agenor parou

Nunca dava atenção a ninguém nem a nada que não fosse um de seus inúmeros compromissos. Precisava ganhar a vida e isso era o bastante, talvez fosse muito para um homem atribulado. Todo dia era a mesma coisa, chateação no trânsito, brigas e brigas com o funcionário Muniz, que demorava mais de meia hora para almoçar, e atrasos, nossa, quantos atrasos. Não dava tempo de cumprir toda a agenda e isso perturbava demais esse homem de pouco mais de trinta anos, sem família constituída e sem horas de lazer. Outro dia no congestionamento, quase enlouqueceu de raiva com o celular que não queria funcionar, e precisava falar com uma pessoa urgentemente. É, não tinha jeito, o veículo nem saía do lugar, e Agenor decidiu abrir a janela e olhar para o lado. Viu a cidade pela primeira vez. Viu o parque à sua direita, um parque enorme, cheio de gente naquele fim de tarde. Quis estar lá. O cérebro de Agenor quase entrou em colapso.

Danielle A. Giannini

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