Banco de personagem: Dona Odila abordou a moça da bolsa cor-de-rosa

Ah, não teve jeito de segurar a Dona Odila naquele dia. Perto da hora do almoço, ela saía do açougue quando viu a moça afobada, correndo com a bolsa cor-de-rosa pendurada no ombro.  Obviamente não saiu ao encalço da guria, foi mesmo o acaso que deu de arranjar as coisas. A coitada da moça tropeçou num caixote deixado por alguém no meio da calçada e quase caiu. Dona Odila aproveitou que a moça aparentava desconserto e se aproximou perguntando se tinha machucado.
_Não, não machuquei, não, senhora, obrigada. É essa maldita pressa que quase me deixou cair.
_É, eu já vi você correr outras vezes aqui na rua, moça.
_Sempre atrasada, senhora.
A moça estava tentando retomar a corrida quando viu o ônibus dela passar reto pelo ponto. Deu de ombros. O dia estava mesmo perdido. A curiosa da Dona Odila queria saber de onde ela vinha, para onde ia, o que levava numa bolsa tão grande…e rosa. E nada. A mocinha sorriu, agradeceu mais uma vez a atenção da senhora simpática e pôs da andar mais devagar.

Danielle A. Giannini

Palavras que se vão

É assim que funciona. O sujeito fala, em muitas ocasiões sem pensar, e pronto, lá se vão as palavras. A questão é que as palavras não voltam, ou seja, depois que saem da boca de alguém vão parar nos ouvidos de outro alguém. Inevitavelmente algum efeito elas vão provocar, dependendo de sua natureza, às vezes bom, outras vezez ruim. Não é todo mundo que se dá conta disso, mas tem gente que conta justamente com esse poder das palavras e as usam com boas ou más intenções. Bem intencionando é aquele indivíduo que escolhe palavras que vão consolar, acalmar, alegrar. Mal intencionado é quem pretende magoar, diminuir, provocar ira, inveja ou ciúme. Tudo isso só com as palavras. Depois tem gente que não se importa com essa coisa que é sair falando e escutando  desleixadamente. É  preciso saber falar para o bem, é preciso escutar também!

Danielle A. Giannini

Banco de personagens: Dona Odila não arranja mais tempo pra nada!

Dona Odila, o que é isso, mulher? E o bolinho no final da tarde, que a vizinhança toda já espera? Tem uns três dias que não sai nem farinha crua do forno! Agora deu de ficar com a cabeça enfiada no computador. Deve ser esse tal de twitter. O que será que ela tanto escreve?

Danielle A. Giannini

Banco de personagens: Dona Odila descobre a Internet

Ê, Dona Odila! Adora fazer cursos essa mulher. Depois que se aposentou, tem todas as tardes tomadas com aulas disso e daquilo. Já aprendeu a fazer macramê, decoração de bolos de festa, pintura em porcelana; tentou até um curso de tarô, mas esse não teve jeito de aprender. A última novidade foi o curso de Internet, ideia sabe de quem? Não foi  do netinho viciado em jogos online, foi do folheto que distribuíram na banca de jornal. O netinho achou engraçado a avó aprender a usar o computador, escrever e-mails e tal, e deu o maior incentivo; pediu até para seu pai comprar um laptop para a avó. Assim aconteceu. Renato, filho de Odila e pai do netinho querido da vovó, comprou a traquitana nova e Dona Odila fez o curso, amou! A nova? Acabou de criar um perfil no Twitter, com a ajuda do neto ainda, mas está adorando!

Danielle A. Giannini

Banco de personagens: Juvêncio J. e a gravidade do seu pensar

Ou a gravidade do seu penar? Do seu pesar? Do quê? Esse homem pensa que só ele serve, só ele é justo, só ele sabe o que é certo, e todas as pessoas estão erradas; na verdade, ele acredita de todo mundo está a mais no mundo, posto que ele é o todo. Juvêncio J. resolveu não gostar mais das pessoas porque elas sempre atrapalham. É o motorista do carro da frente que não o deixa passar. É a atendente do supermercado que demora. É o governo que não faz nada direito e só cria dificuldade. É o motoboy que esbarra no seu carro. É uma porção disso e daquilo, que faz medo. Não consegue ver nada de bom em ninguém esse homem. Talvez ele se baste e não precise nunca de ninguém mesmo. Vamos ver.

Danielle a. Giannini