Palavras são para degustar

degustarA construção do texto guarda semelhanças com o preparo de um prato. Quando pensei isso, talvez eu realmente estivesse com fome, fato é que cheguei à conclusão de que escrever e cozinhar são atos semelhantes, com movimentos parecidos e fins quase idênticos.

O preparo do prato começa efetivamente com a escolha do que vamos comer ou servir. Sim, isso mal foi ao fogo e já está cheirando bem, pois não escolhemos o que queremos escrever antes de pegar papel e caneta ou abrir o editor de texto do computador? Decidido o menu, passamos para a escolha dos ingredientes, e que sejam de qualidade! Um bom azeite, legumes selecionados, condimentos e temperos frescos, tudo interfere no sabor, tal como as palavras apropriadas, construções sintáticas, correção gramatical … Tudo junto, na medida certa, e uma mensagem clara a se transmitir, e voilà um texto delicioso, eficiente, daqueles que matam a fome do leitor. E o leitor quer comer o quê? De tudo, desde o mais calórico hambúrguer até um requintado guisado, passando pelo cordeiro assado, saladinha de folhas verdes, arroz com feijão e tudo que puder ser mastigado e digerido. Com os textos é assim também, o bom de garfo vai aproveitar um bilhetinho para a faxineira, uma mensagem no celular, um orçamento claro e preciso, um relatório esclarecedor e mais, muito mais, um romance envolvente, uma dissertação inovadora, poemas tocantes, enfim, cada leitor com a sua preferência ou necessidade.

Quando nós tomávamos sopa de letrinhas já estávamos sendo preparados mesmo para essa coisa toda da escrita, não era conversa fiada das nossas mães, não.

A criatividade não brota do nada

A criatividade não brota do nada, ela é estimulada ou reprimida, dependendo do que se faz para favorecê-la ou condená-la à inanição. Depende de exercício, muito exercício. O quanto você exercitá-la será a medida da sua capacidade de criação. Se exercitar diariamente, ela fluirá quase autônoma; se deixar de exercitar, será sofrida, doerá. A criatividade também gosta de uns mimos, vitaminas, isto é, se pretende estimular a criatividade para escrever, então leia, leia de tudo bom e não tão bom assim. Se a sua intenção é ter criatividade ativa para pintar, olhe as pinturas, veja quadros. Se quer criar músicas, escute, dance, cante. Essas vitaminas, além de representarem um verdadeiro alento a você, servem para impulsionar a força criativa que às vezes deixamos enfraquecer por descuido ou falta de uso.

 

Danielle Arantes Giannini

Como nasce um texto

“Para um texto ser bom, antes ele precisa ser texto. Para ser texto, alguém precisa fazê-lo nascer.”

“Mas não é tão simples assim, escrever às vezes dói, cansa, o texto engasga e não quer sair, emperra, fogem as palavras e nos restam em mãos míseras letras soltas.”

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