A hipocrisia da censura estúpida

ht_die_kleine_hexe_nmi_130116_mnA hipocrisia se espalha pelo mundo e escolhe como alvo a literatura infanto-juvenil. A vítima da vez foi o alemão Otfried Preussler, autor de “Die Kleine Hexe” (“A Bruxinha”). Apesar de o autor ter concordado, antes de falecer, com a alteração do texto original com o intuito de “eliminar palavras e passagens consideradas inadequadas e racistas”, a notícia da reedição não caiu bem e o editor está se vendo às voltas com mil pedidos de explicação (ufa, por sorte há pessoas de bom senso naquele país!), embora mantenha a decisão de escamotear a obra. E a ministra alemã das Relações Familiares, do partido conservador União Democrática Cristã, está empenhadíssima em encontrar novos alvos; tudo indica que o próximo será Michael Ende. Viram só, Monteiro Lobato não está sozinho nessa parada, para alívio de Pedrinho e desespero das pessoas que prezam pela coerência e pela arte!

Bom de ouvir!

Depois ninguém entende por que eu sou apaixonada por rádio. Hoje cedo, a caminho do trabalho, tive uma surpresa enquanto escutava o noticiário na Jovem Pan AM. Após ter seus repórteres de esporte impedidos de entrarem nos campos de futebol para fazerem entrevistas, a JP apelou para a Justiça e conseguiu liminar que garante aos seus profissionais o livre exercício das suas funções. Essa notícia, por si só, já é ótima, pois não se pode admitir que apenas a emissora que  paga pelo direito de transmissão possa entrar no gramado, mas o que me encantou mesmo foi ouvir Joseval Peixoto, que parou tudo para ler a liminar proferida pelo juiz Dr.Luiz Beethoven Giffoni.  Texto belíssimo,  nas palavras e nos fundamentos, de encantar quaisquer ouvidos. Cheguei a pensar no meu pai , que costumava pinçar palavras novas no dicionário para usar nas aulas que ministrava da Faculdade de Direito.  Palavras que não se ouvem por aí porque agora tudo ficou mais simples, embora não necessariamente mais claro. Gostei de ouvir o que  Dr. Giffoni escreveu, sem dúvida, inspirado pelo saber das letras e das leis. Que bom seria se nós brasileiros falássemos um pouco melhor, só um pouco, pelo menos sem cometer impropriedades que desacorçoam . Que bom seria se não tivéssemos que aguentar gerúndios aos borbotões, “mim” conjugando verbo, e pior, aquela irritante pronúncia presidencial do pronome “nós”, que virou “nóis”, sem pudor algum. Eu gostaria de ouvir e ler textos tão expressivos e ricos todos os dias, que  presente!