Como nasce o texto

Como nasce o texto – IV

Se você gosta de escrever e tem facilidade com as palavras, tanto melhor, seus textos terão uma boa chance de serem bons. Se você não gosta de escrever, isso não é um problema tão grande, desde que desenvolva certas competências linguísticas. Gostar da escrita é uma vantagem, porém não é garantia de resultados satisfatórios. O que mais então é preciso para ser um autor?

Antes de tudo, muita paciência e também certa dose diária de leitura, pois sem ler a mente vai se acomodando e as possibilidades de quem escreve se restringem a quase nada, uma vez que não se interiorizam modelos. Modelos são palavras, expressões, estruturas sintáticas e toda gama de variações linguísticas possíveis em um texto. À medida que lemos, automaticamente registramos estes modelos, que nos são acessíveis sempre que necessário. Não que o ato de escrever seja cópia de textos lidos, longe disso, é antes a exploração de possibilidades inesgotáveis constituídas a partir de tudo o que aprendemos e interiorizamos a partir de nossas observações, sensações, experimentações e vivências.

Em suma, é o repertório que se forma ininterruptamente através da vida que vai agir como fator preponderante na confecção de um texto. Por isso, além da leitura acrescentar conteúdo, sem contar outros inúmeros benefícios, ela fornece ferramentas para desenvolvermos a habilidade da escrita. Portanto não ter na leitura um hábito, qualquer que seja o nível desta leitura, é praticamente um tiro no pé de qualquer ser pensante que tenha a intenção de escrever.

Como nasce o texto – III

Um autor, algumas idéias, certo conteúdo e um bocado de palavras, só isso basta? Não. São itens essenciais, é verdade, que não dispensam a presença de um bom conhecimento da língua na qual se escreve, sua sintaxe e regras gramaticais, sem o que um texto estará automaticamente fadado ao fracasso.  Todos estes elementos juntos exigem que se tenham objetivos claros ao redigir um texto e que existam leitores. Aliás os leitores são uma espécie de termômetro do texto, indicam com suas atitudes  se o que leu é bom ou ruim, compreensível ou indecifrável, interessante ou maçante, enfim, apontam se o texto é digno de ser lido ou pode ser descartado sem causar qualquer prejuízo à humanidade. É claro que existem leitores e leitores, por isso a necessidade de saber para quem se escreve, pois isso é o que vai definir que palavras podem ser empregadas, como devem ser dispostas nas frases, ou seja, qual vai ser o jeitão do texto.

Como nasce o texto – II

Para um texto ter conteúdo,  é imprescindível a presença do autor. Tudo isso junto atua no surgimento de um texto: o autor, dono de um conteúdo, deseja ou necessita exprimi-lo, e só pode fazê-lo através das palavras; estas, mais ou menos articuladas, organizadas, separadas e rearranjadas, dão vida ao texto. Mas não é tão simples assim, escrever às vezes dói, cansa, o texto engasga e não quer sair, emperra, fogem as palavras e nos restam em mãos míseras letras soltas. Quando isso acontece, o melhor a se fazer é parar tudo, respirar fundo e admirar a paisagem por alguns instantes para arejar a mente, depois recomeçar do zero, ou melhor, da folha em branco.


Como nasce o texto – I

Como todos bem sabem, e se não sabem precisam saber, o texto não nasce do ovo, nem brota na terra, tampouco cai do céu. O texto é um produto, quase uma manufatura que se delineia pouco a pouco até ganhar forma, tamanho, cor e sabor. Uns custam mais do que outros para virem ao mundo, uns são mais ou menos aceitos, e todos despertam alguma reação em quem os lê, mesmo que seja uma reação de completa apatia. Riso, choro, choque, angústia e todas as outras emoções desfilam no rol dos efeitos produzidos por um texto, bem ou mal escrito. Se for bem escrito, tanto mais vivaz serão as emoções que ele provoca; se for mal escrito, só pode causar indignação, dúvida, susto ou coisas do gênero. Para um texto ser bom, antes ele precisa ser texto. Para ser texto, alguém precisa fazê-lo nascer. Este alguém é o autor, o dono do texto, é quem decide como será o texto. A matéria-prima do autor são as palavras, elas é que carregam o poder de traduzir idéias, sentimentos, informações e tudo o mais que o autor desejar ou necessitar. Obviamente nenhuma serventia têm as palavras se não houver conteúdo, qualquer que seja ele, importante ou não, sério ou tolo, urgente ou dispensável; a menos que se queira apenas jogar com as formas e os significados das palavras, mas essa é outra tarefa.

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