Banco de personagens: A mulher da casa ao lado

 

Não cansava daquela mania de lastimar-se. A mulher da casa ao lado praguejava contra o passado, contra o presente, contra o que nem tinha acontecido ainda. A pobre coitada tinha por certo o que ia acontecer, parecia que consultava um oráculo. Sempre eram maus presságios. E a mulher resmungando em voz alta, que eu ouvia do outro lado da parede. Era isso dia após dia, cansava-me os ouvidos. Ela não percebia que temos conosco a vida que procuramos, a mulher da porta ao lado.

Danielle Arantes Giannini

18/01/17

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Para quem está em São Paulo

Notícia publicada no site PublishNews:
Shopping de SP ganha espaço temporário para amantes do livro
PUBLISHNEWS, REDAÇÃO, 18/01/2017
O espaço ‘Book Lovers’ fica no Shopping Cidade Jardim até 19/02

Para celebrar as férias, o Shopping Cidade São Paulo (Av. Paulista, 1230, Bela Vista – São Paulo / SP) combinou opções de cultura e lazer em um único ambiente para promover o espaço literário Book Lovers. Localizado na Praça de Eventos, no piso Térreo do shopping, o espaço reúne mais de três mil títulos de diversos gêneros, dentre eles, lançamentos e livros clássicos da literatura brasileira. Com o objetivo de estimular o prazer pela leitura, os organizadores disponibilizam, ainda, livros a partir de R$ 5, e, nos fins de semana, o espaço recebe o público com inúmeras contações de histórias e atividades lúdicas. O evento segue até o dia 19 de fevereiro e a entrada é gratuita.

 

Poeminha para quem dói

Dor

 

Teve dores na alma

Para as quais não encontrava comprimidos

Deixou o corpo deitado

As dores não cessavam

Quanto mais esperava

Mais doía-lhe o ser

Por quanto tempo ficou ali não sabe

Era confortável a companhia da dor.

 

Danielle Arantes Giannini
(15/01/17)

Venha cá, inspiração querida!

cafe-inspira

Reservei parte do meu dia para escrever. Livrei-me dos compromissos na rua, cheguei em casa, vi bagunça espalhada e fui dar uma ajeitadinha. Casa limpa areja a mente. Bem, como havia uma pilha de livros e papéis sobre a mesa, achei por bem guardar o que não era urgente e jogar fora o que não prestava. Já que fiz isso na mesa, resolvi fazer também no escritório todo, assim rapidinho. Três sacolas de papéis picados depois, uma hora e meia tinha se passado. Ótima a sensação de leveza. Como é bom desvencilhar-se de inutilidades! Só que depois doeram-me as pernas, veio a fome, mensagens de amigos distantes pelo celular, banho relaxante e finalmente chegou nosso momento, eu e ele, o teclado do computador. E nada. Zero inspiração. O avançado da hora, pra mais de onze e meia da noite, não me recomendava nada à base de cafeína. Era eu e a tela branca, eu e as palavras fugidias. As palavras resolveram zombar do meu cansaço, cruzaram todas elas as pernas e recusaram-se a me servir. Quem sabe ler umas páginas ajuda. Estou com algumas leituras abertas: Manoel de Barros, Cecília Meireles, um livro sobre a Doutrina de Buda e uma obra sobre psicologia espírita, de Joanna de Ângelis. A ver de onde vem a inspiração, esta que me renega justo hoje que me guardei para ela!
E o celular não para de fazem plim-plim…

Danielle Arantes Giannini

Se a mente estiver negativa, pode ser ruim…ou não! Leia em https://doreseganhos.wordpress.com/2017/01/18/tirando-vantagem-das-negatividades/

Quando se perde um amor

Perdi o amor
Ganhei a poesia
Recuperei os versos que havia preterido
Em troca de um amor tranquilo
Passou o vento e tudo levou
A poesia, fiel companheira
Sem mágoas, sem máculas,
Sem me desprezar, sem me zombar,
Foi se achegando e instalou-se enfim
No lugar que dela sempre foi
Não fez cobrança
Não fez promessa
Pediu papel e caneta
Era hora de voltar ao trabalho.

(Danielle Arantes Giannini)

Sobre ilusões, leia novo post no Blog Dores & Ganhos
http://doreseganhos.wordpress.com

 

um livro

“Um livro importante revela-nos uma verdade ignorada, escondida, profunda, sem forma que trazemos em nós, e causa-nos um duplo encantamento, o da descoberta de nossa própria verdade na descoberta de uma verdade exterior a nós, e o da descoberta de nós mesmos em personagens diferentes de nós.” (Edgar Morin)