O céu na minha cidade está negro

ceu negro

 

Olhei para o céu e vi que estava desabando negrume sobre os passantes. Tratei de passar rápido. Tinha afazeres para o dia. Era meu segundo dia de disciplina, não podia falhar. Portanto parar e esperar o futuro do céu não estava nos meus planos. Pensei que minha vida devia continuar, assim como todas as vidas devem continuar mesmo quando o céu está pesado, pesaroso, pois os problemas e as soluções existem apesar do céu.

Então segui adiante.

Danielle A.Giannini

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Como nasce um texto

“Para um texto ser bom, antes ele precisa ser texto. Para ser texto, alguém precisa fazê-lo nascer.”

“Mas não é tão simples assim, escrever às vezes dói, cansa, o texto engasga e não quer sair, emperra, fogem as palavras e nos restam em mãos míseras letras soltas.”

Leia mais em https://sobrepalavras.wordpress.com/como-nasce-o-texto/

Se conselho fosse bom…

Se conselho fosse bom…

Para escrever um texto, você não precisa só de palavras e ideias. Você deve ter a cabeça pensante, o pensamento vibrante e o cérebro ventilado. Porque escrever não é vomitar palavras. As palavras são senhoras respeitáveis, não são restos indigestos de raciocínio. Se quiser amontoar palavras bonitas em uma, duas ou muitas linhas, esqueça, isso não é escrever um bom texto, isso é afrontar o destino das ideias. Se estiver com pressa, então, prepare-se para a revolta da coerência, que não poupa ninguém, nem uma vírgula. Por isso não seja tolo, deixe de desperdiçar seu tempo misturando palavras que não se dão bem. Dê uma pausa, vá tomar um café, um champagne talvez. Experimente um chocolate, biscoitos, essas gulodices que fazem o maxilar mexer-se e ativam a circulação. Depois disso, se você ainda estiver disposto a escrever algo que se encaixe no mundo dos textos a serem lidos com gosto por alguém, coloque toda sua energia a serviço dos sentidos do sentir e dos sentidos do significado. Aí, sim, parta para a experiência única de escolher palavras e dispô-las cuidadosamente numa linha reta, para que não caiam e se espatifem no pé da página. Mas seja honesto com as palavras, pois elas não relevam. Agarre-se ao bom senso, para que seu texto não seja atirado ao rol poeirento das inutilidades escritas, afinal, o leitor também merece consideração.

Danielle Arantes Giannini

Vontade de dizer algo

 

 

 

 

 

 

Quando dá essa vontade,

que seja bom esse algo.

Que seja proveitoso.

Que seja útil ou bonito.

Não precisa ser majestoso,

nem frívolo, tampouco afetado.

Que seja algo digno de ser dito.

Porque se não for,

nem precisa dizer.

As palavras têm um preço

E o que não deve ser dito

Custa caro.

Melhor dizer o que é fácil pagar.

Danielle A. Giannini

Como nasce o texto IV – O Autor

 Se você gosta de escrever e tem facilidade com as palavras, tanto melhor, seus textos terão uma boa chance de serem bons. Se você não gosta de escrever, isso não é um problema tão grande, desde que desenvolva certas competências linguísticas. Gostar da escrita é uma vantagem, porém não é garantia de resultados satisfatórios. O que mais então é preciso para ser um autor?

Antes de tudo, muita paciência e também certa dose diária de leitura, pois sem ler a mente vai se acomodando e as possibilidades de quem escreve se restringem a quase nada, uma vez que não se interiorizam modelos. Modelos são palavras, expressões, estruturas sintáticas e toda gama de variações linguísticas possíveis em um texto. À medida que lemos, automaticamente registramos estes modelos, que nos são acessíveis sempre que necessário. Não que o ato de escrever seja cópia de textos lidos, longe disso, é antes a exploração de possibilidades inesgotáveis constituídas a partir de tudo o que aprendemos e interiorizamos a partir de nossas observações, sensações, experimentações e vivências.

Em suma, é o repertório que se forma ininterruptamente através da vida que vai agir como fator preponderante na confecção de um texto. Por isso, além da leitura acrescentar conteúdo, sem contar outros inúmeros benefícios, ela fornece ferramentas para desenvolvermos a habilidade da escrita. Portanto não ter na leitura um hábito, qualquer que seja o nível desta leitura, é praticamente um tiro no pé de qualquer ser pensante que tenha a intenção de escrever.