Arnaldo não podia desistir

Não, não era tarde para desistir. Nem cedo. Não era cedo ou tarde. Simplesmente ele não podia desistir. Não acreditava na sorte, tampouco apostava suas fichas no destino. Queria liberta-se de todo aquele lixo de vida. Lixo que foi acumulando sem nem saber o porquê. Juntou o que pôde, juntou por juntar. Carcaças de carros, livros sem capas, fotografias rasgadas, xícaras lascadas e um bocado de sentimentos inúteis. Acabou que o espaço não dava mais para nada disso. Nada disso nem nada mais. Arnaldo não suportava mais a ideia de juntar o que quer que fosse na sua existência interminável. Desejou por fim na própria existência, porém antes teria que se livrar de tanto peso. Não poderia carregar as tralhas pela eternidade afora. Pôs anúncio no jornal. Espalhou a oferta boca a boca. Ninguém interessou-se. Vida desinteressante ele teve. E agora não conseguia desfazer-se dela. Lamentava não poder desistir. Ele não podia desistir. Não era cedo ou tarde, era impossível. Só restou conformar-se com seus lixos. Viu que lixo de vida tinha e saiu andando pela rua sem destino.

Danielle Arantes Giannini

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Oficina da Palavra

 

Começa no dia 17 de março o Ateliê Permanente de Criação Literária, promovida pelo escritor Luiz Brás, na Oficina da Palavra Casa Mário de Andrade. Os interessados podem frequenter os encontros que desejar, bastando para isso realizar as inscrições com antecedência. No primeiro módulo do Ateliê, que acontece entre os dias 17 de março e 27 de maio, o foco serão os gêneros conto e crônica, com atividades práticas de redação e leitura crítica, intercaladas com a apresentação e a análise de clássicos da literatura.

Serviço: 

Ateliê Permanente de Criação Literária Casa Mário de Andrade
Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda, tel. (11)3666-5803


Editora Patuá e o herói da resistência

Editar livro no Brasil é para poucos, poucos felizardos que já são conhecidos ou têm conhecidos, autores estrangeiros, artistas, políticos e mais meia dúzia de gatos pingados. O autor novo, aquele que deseja muito ter sua obra publicada e não cumpre nenhum dos requisitos citados há pouco, não tem vez. Tem autor tentando ser publicado neste país aos borbotões, muitos enviam os originais para análise das editoras e, ninguém se iluda, quase nunca são lidos. No Brasil, a aposta das editoras deve ser certeira porque o retorno financeiro precisa ser imediato, e nesse quesito, a coisa da cultura interessa menos ou pouco. Fosse assim sempre, tudo estaria perdido. Alguma iniciativa aqui, outra acolá sempre surgem. Uma delas completa agora três anos de luta contra  a resistência  do mercado editorial, a Editora Patuá. Criada por Eduardo Lacerda, em funcionamento dentro de casa mesmo, a editora se presta a ler originais de quem não tem vez nas grandes e edita livros de autores novos, desconhecidos e bons; hoje já são mais de 155 títulos publicados, entre eles poesia, conto, crônica e romance. A festa de aniversário acontece no dia 22 de fevereiro no Hussardos Clube Literário.

Serviço: Rua Araújo, 154, 2o andar, República. Das 15 às 24 hs.

Banco de personagem: Dona Odila abordou a moça da bolsa cor-de-rosa

Ah, não teve jeito de segurar a Dona Odila naquele dia. Perto da hora do almoço, ela saía do açougue quando viu a moça afobada, correndo com a bolsa cor-de-rosa pendurada no ombro.  Obviamente não saiu ao encalço da guria, foi mesmo o acaso que deu de arranjar as coisas. A coitada da moça tropeçou num caixote deixado por alguém no meio da calçada e quase caiu. Dona Odila aproveitou que a moça aparentava desconserto e se aproximou perguntando se tinha machucado.
_Não, não machuquei, não, senhora, obrigada. É essa maldita pressa que quase me deixou cair.
_É, eu já vi você correr outras vezes aqui na rua, moça.
_Sempre atrasada, senhora.
A moça estava tentando retomar a corrida quando viu o ônibus dela passar reto pelo ponto. Deu de ombros. O dia estava mesmo perdido. A curiosa da Dona Odila queria saber de onde ela vinha, para onde ia, o que levava numa bolsa tão grande…e rosa. E nada. A mocinha sorriu, agradeceu mais uma vez a atenção da senhora simpática e pôs da andar mais devagar.

Danielle A. Giannini

Prêmio Sesc de Literatura 2009

Todo novo autor sabe como é duro e longo o caminho para publicar um livro no Brasil. Uma alternativa pode ser participar de concursos literários. O Prêmio Sesc de Literatura é um bom concurso para os principiantes arriscarem a sorte porque parte do prêmio é a publicação e a distribuição da primeira edição da obra pela Editora Record, com direito a 10% do valor da capa na comercialização em livrarias. Podem ser inscritos textos inéditos – conto ou romance – até o dia 30 de setembro. Leia edital no site do Sesc – http:// www.sesc.com.br