O céu na minha cidade está negro

ceu negro

 

Olhei para o céu e vi que estava desabando negrume sobre os passantes. Tratei de passar rápido. Tinha afazeres para o dia. Era meu segundo dia de disciplina, não podia falhar. Portanto parar e esperar o futuro do céu não estava nos meus planos. Pensei que minha vida devia continuar, assim como todas as vidas devem continuar mesmo quando o céu está pesado, pesaroso, pois os problemas e as soluções existem apesar do céu.

Então segui adiante.

Danielle A.Giannini

A criatividade não brota do nada

A criatividade não brota do nada, ela é estimulada ou reprimida, dependendo do que se faz para favorecê-la ou condená-la à inanição. Depende de exercício, muito exercício. O quanto você exercitá-la será a medida da sua capacidade de criação. Se exercitar diariamente, ela fluirá quase autônoma; se deixar de exercitar, será sofrida, doerá. A criatividade também gosta de uns mimos, vitaminas, isto é, se pretende estimular a criatividade para escrever, então leia, leia de tudo bom e não tão bom assim. Se a sua intenção é ter criatividade ativa para pintar, olhe as pinturas, veja quadros. Se quer criar músicas, escute, dance, cante. Essas vitaminas, além de representarem um verdadeiro alento a você, servem para impulsionar a força criativa que às vezes deixamos enfraquecer por descuido ou falta de uso.

 

Danielle Arantes Giannini

Se conselho fosse bom…

Se conselho fosse bom…

Para escrever um texto, você não precisa só de palavras e ideias. Você deve ter a cabeça pensante, o pensamento vibrante e o cérebro ventilado. Porque escrever não é vomitar palavras. As palavras são senhoras respeitáveis, não são restos indigestos de raciocínio. Se quiser amontoar palavras bonitas em uma, duas ou muitas linhas, esqueça, isso não é escrever um bom texto, isso é afrontar o destino das ideias. Se estiver com pressa, então, prepare-se para a revolta da coerência, que não poupa ninguém, nem uma vírgula. Por isso não seja tolo, deixe de desperdiçar seu tempo misturando palavras que não se dão bem. Dê uma pausa, vá tomar um café, um champagne talvez. Experimente um chocolate, biscoitos, essas gulodices que fazem o maxilar mexer-se e ativam a circulação. Depois disso, se você ainda estiver disposto a escrever algo que se encaixe no mundo dos textos a serem lidos com gosto por alguém, coloque toda sua energia a serviço dos sentidos do sentir e dos sentidos do significado. Aí, sim, parta para a experiência única de escolher palavras e dispô-las cuidadosamente numa linha reta, para que não caiam e se espatifem no pé da página. Mas seja honesto com as palavras, pois elas não relevam. Agarre-se ao bom senso, para que seu texto não seja atirado ao rol poeirento das inutilidades escritas, afinal, o leitor também merece consideração.

Danielle Arantes Giannini

Grades da criação
Grades da criação

Escrever é tarefa complexa, exige que o sujeito esteja com seus sentidos acionados, apurados; requer paciência e raciocínio minimamente elaborado ( mesmo que seja para lidar com o caos). Escrever não é uma ação involuntária, nem mesmo nos seres mais altamente dotados desse dom. Escrever é uma ação, e como tal, pressupõe uma atitude, a atitude de colocar palavras para fora da mente do ser escrevente, tenham elas sentido ou não para o leitor. Colocar palavras para fora é praticamente impossível quando a mente está encolhida e a inspiração está atrás das grades da apatia. O motivo dessa apatia pode ser muitos: uma preocupação do sujeito que escreve com causas que lhe fogem ao controle e que precisam ser resolvidas; uma enfermidade; um sentimento a ser sentido e não expresso; uma euforia enquietante; falta de silêncio ou excesso do mesmo; cobranças do mundo externo e tantas outras. Vem a apatia que amortece a mente do indivíduo e lá se vai aquientando a inspiração, submissa à falta de desejo, entregue à incapacidade de reação. Tal situação pode durar minutos, horas, dias ou muito mais. Quanto maior sua duração, tanto mais graves as consequências: ideias retidas se perdem, se confundem, se mesclam, se apagam, se apertam, se comprimem, se ocultam … é custoso depois dar ordem às palavras. Porém o sujeito que escreve está à mercê dessa situação e não tem como se prevenir dela diante dos imperativos da vida. Nesse período ele não escreve, quase não lê, nem pensa com lucidez, nada, é tão somente um sujeito sem ação à esperada de dias melhores.

Danielle A. Giannini

Termo inadequado

Lendo uma porção de textos esta semana, notei que a observação que eu mais fiz foi: “termo inadequado”.  Como encontrei termos inadequados!!! Parece que está difícil encontrar a  palavra certa. Talvez porque de um jeito ou de outro as pessoas pensam que vão se fazer entender, talvez por conta da pressa que convence quem escreve a usar qualquer palavra, talvez porque usar o dicionário seja cansativo ou demorado. Há quem se beneficie com o uso de termos inadequados, como os advogados, que encontram nesses termos as brechas nas leis; creio que outro bocado de gente veja conveniência nos termos inadequados, mas são inadequados por conveniência, têm lá seu valor. O que  maltrata o leitor (ou o ledor) são os termos inadequados porque não deveriam ter sido usados. Seria interessante alguém lançar um movimento a favor da busca do termo adequado, talvez não houvesse mais tanto malentendido.

Salut!