Bibliotecas lindas de ver, de entrar, de ler …

Está circulando na Internet uma lista das livrarias mais bonitas no mundo, segundo o site Flavorwire. Vi as fotos e ma delas está bem aqui pertinho de nós brasileiros, a Livraria da Vila. São mesmo lugares incríveis. Por mim, eu sairia daqui hoje mesmo para fazer uma peregrinação nesses templos do saber. Aí vem a questão: os livros que elas acolhem, exibem e oferecem também são bonitos? Bonitos de ver e de ler? Não tenho dúvida de que as edições atuais são lindas, muitas de qualidade primorosa, a começar do papel. E o que tem escrito neles? Coisas lindas, interessantes, fascinantes, educativas, ilustrativas, sim, tudo isso e mais um monte de besteiras editoriais que não é pouca coisa. Mas está tudo bem, acho mesmo que as criaturas desse mundo devem escrever o que quiserem (oh, desde que não firam os preceitos morais da nossa sociedade!) e as outras criaturas devem ler o que quiserem. Assim é justo regular o mercado dos livros, pelo interesse de quem lê. Ponto importante esse, pois não sei bem quem regula esse gosto do público, que entidade divina norteia as decisões dos editores de publicarem isso e não aquilo, que raio atinge o cidadão que decide comprar o bestseller ou o livro escondidinho na prateleira. De todo jeito, vivemos em uma sociedade mais ou menos livre e ter livros para escolher já é bom. Se os livros comprados forem lidos, tanto melhor, ainda mais se forem boas leituras, aquelas úteis, instrutivas ou instigantes. No mais, continuo aqui desejosa por conhecer aquele bocado de lugar bonito onde se vendem livros, talvez a melhor mercadoria que o homem já inventou.

http://flavorwire.com/254434/the-20-most-beautiful-bookstores-in-the-world

Banco de personagens – A moça de cabelos pretos

Ela procurava palavras. Não qualquer palavra, uma palavra que coubesse na sua vida, como que sob medida. Por isso leu tanto e de tanto ler ganhou uma angústia dessas que não são comuns. Definitivamente não estava feliz com o que lia, quantas palavras desnecessárias, palavras sem encaixe, meras palavras. Não suportava mais, seu cérebro estava sumindo. Naquela noite, sentindo sua mente castigada demais, decidiu parar de ler. A moça de cabelos pretos foi comer morangos.

Danielle A. Giannini

Como nasce o texto V – A leitura


Ler é uma das formas mais eficazes de estar no mundo, de entender o mundo, de fazer o mundo. Apreender o sentido de um texto, seja através de um código verbal ou não-verbal, é a chave para a percepção de si próprio como indivíduo dotado da capacidade de receber mensagens decodificá-las, interagir com os signos e símbolos e a partir de então elaborar um raciocínio que leve a uma crítica, uma dúvida, uma idéia e o que mais a mente quiser. O efeito da leitura pode ser qualquer um, da alegria, satisfação à raiva, revolta ou até indiferença ou indignação frente a textos ruins ou inadequados à nossa possibilidade momentânea de entendê-lo. Também é verdade que quanto mais lemos, mais somos capazes de ler outros textos, textos mais complexos, mais difíceis, mas sutis, enfim, à medida que lemos, vamos nos formando como leitores, num crescente que se inicia na infância para acompanhar o homem sempre.

Se tudo isso funciona para nós, autores, vale na mesma proporção para eles, os leitores. No fundo, leitores somos todos nós, embora nem todos sejam ou venham a ser autores um dia. Se pretendemos que o nosso texto seja lido, é melhor considerar a existência do leitor.