Para quem está em São Paulo

Notícia publicada no site PublishNews:
Shopping de SP ganha espaço temporário para amantes do livro
PUBLISHNEWS, REDAÇÃO, 18/01/2017
O espaço ‘Book Lovers’ fica no Shopping Cidade Jardim até 19/02

Para celebrar as férias, o Shopping Cidade São Paulo (Av. Paulista, 1230, Bela Vista – São Paulo / SP) combinou opções de cultura e lazer em um único ambiente para promover o espaço literário Book Lovers. Localizado na Praça de Eventos, no piso Térreo do shopping, o espaço reúne mais de três mil títulos de diversos gêneros, dentre eles, lançamentos e livros clássicos da literatura brasileira. Com o objetivo de estimular o prazer pela leitura, os organizadores disponibilizam, ainda, livros a partir de R$ 5, e, nos fins de semana, o espaço recebe o público com inúmeras contações de histórias e atividades lúdicas. O evento segue até o dia 19 de fevereiro e a entrada é gratuita.

 

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Venha cá, inspiração querida!

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Reservei parte do meu dia para escrever. Livrei-me dos compromissos na rua, cheguei em casa, vi bagunça espalhada e fui dar uma ajeitadinha. Casa limpa areja a mente. Bem, como havia uma pilha de livros e papéis sobre a mesa, achei por bem guardar o que não era urgente e jogar fora o que não prestava. Já que fiz isso na mesa, resolvi fazer também no escritório todo, assim rapidinho. Três sacolas de papéis picados depois, uma hora e meia tinha se passado. Ótima a sensação de leveza. Como é bom desvencilhar-se de inutilidades! Só que depois doeram-me as pernas, veio a fome, mensagens de amigos distantes pelo celular, banho relaxante e finalmente chegou nosso momento, eu e ele, o teclado do computador. E nada. Zero inspiração. O avançado da hora, pra mais de onze e meia da noite, não me recomendava nada à base de cafeína. Era eu e a tela branca, eu e as palavras fugidias. As palavras resolveram zombar do meu cansaço, cruzaram todas elas as pernas e recusaram-se a me servir. Quem sabe ler umas páginas ajuda. Estou com algumas leituras abertas: Manoel de Barros, Cecília Meireles, um livro sobre a Doutrina de Buda e uma obra sobre psicologia espírita, de Joanna de Ângelis. A ver de onde vem a inspiração, esta que me renega justo hoje que me guardei para ela!
E o celular não para de fazem plim-plim…

Danielle Arantes Giannini

Se a mente estiver negativa, pode ser ruim…ou não! Leia em https://doreseganhos.wordpress.com/2017/01/18/tirando-vantagem-das-negatividades/

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“Um livro importante revela-nos uma verdade ignorada, escondida, profunda, sem forma que trazemos em nós, e causa-nos um duplo encantamento, o da descoberta de nossa própria verdade na descoberta de uma verdade exterior a nós, e o da descoberta de nós mesmos em personagens diferentes de nós.” (Edgar Morin)

Sobre a impetuosidade das ideias

Sobre a impetuosidade das ideias_imagemeditada

Se as ideias despontam na mente, temos duas opções, colocá-las para fora ou taparmos cada uma delas com uma pá de cal do esquecimento.

Às vezes funciona deixarmos largadas em qualquer canto inútil e inerte do pensamento, outras vezes a estratégica não dá certo, aí elas voltam a nos assediar com toda força, são vorazes e impiedosas, e enquanto não as expelimos, não há calma que reine no nosso pensar. Pode ser falando, cantando ou escrevendo, não importa, as ideias querem sair.

Vamos tratar aqui das ideias que desejam sair escritas. Em geral, essas ideias são caprichosas, querem perdurar, não se contentam em serem lançadas ao vento. Para essas ideias precisamos dar atenção, e dependendo do caso até recolhimento, para que tomem forma em um texto que mereça ser lido. Seja qual for o gênero que se opte por escrever, as ideias precisam ser domadas, organizadas e reordenadas segundo os critérios da correção e os caprichos da estética, ou os rigores da técnica. Não se pode deixar uma ideia decidir por si só como quer ser exposta em um texto. Precisamos ter pulso firme a assumir as rédeas do nosso texto, impondo o ritmo, o tom e a forma que nos convém. Quando assumimos que somos autores do nosso texto, aí sim as ideias entendem o seu devido lugar. E que sejamos autores decididos, firmes nas decisões, ou perderemos completamente a autoridade sobre elas, pois ideias não são bobas, ficam à espreita, esperando um vacilo, para dominarem o processo de criação. Sendo assim, que venham as ideias, e que sejam boas, e que sejam nossas aliadas.

 

 

Danielle Arantes Giannini

Editora Patuá e o herói da resistência

Editar livro no Brasil é para poucos, poucos felizardos que já são conhecidos ou têm conhecidos, autores estrangeiros, artistas, políticos e mais meia dúzia de gatos pingados. O autor novo, aquele que deseja muito ter sua obra publicada e não cumpre nenhum dos requisitos citados há pouco, não tem vez. Tem autor tentando ser publicado neste país aos borbotões, muitos enviam os originais para análise das editoras e, ninguém se iluda, quase nunca são lidos. No Brasil, a aposta das editoras deve ser certeira porque o retorno financeiro precisa ser imediato, e nesse quesito, a coisa da cultura interessa menos ou pouco. Fosse assim sempre, tudo estaria perdido. Alguma iniciativa aqui, outra acolá sempre surgem. Uma delas completa agora três anos de luta contra  a resistência  do mercado editorial, a Editora Patuá. Criada por Eduardo Lacerda, em funcionamento dentro de casa mesmo, a editora se presta a ler originais de quem não tem vez nas grandes e edita livros de autores novos, desconhecidos e bons; hoje já são mais de 155 títulos publicados, entre eles poesia, conto, crônica e romance. A festa de aniversário acontece no dia 22 de fevereiro no Hussardos Clube Literário.

Serviço: Rua Araújo, 154, 2o andar, República. Das 15 às 24 hs.

Croniquinhas: 8…no cárcere

Sentindo-se à vontade para sair às ruas celebrar a chegada de uma nova estação do ano, vestiu-se despojadamente do seu estado de felicidade obrigatória e foi. Voltou muito tempo depois, exausto, aflito, pensativo, arrependido. Levaram-lhe os pertences. Eram poucos, mas eram seus. Não tinha nenhum consolo para enfrentar a semana que estava por começar em poucas horas.

Danielle A. Giannini

Banco de personagens: Maria Estúpida

O sentimento de ser não existia naquela mulher, dura de coração, gélida na alma, feia de traços. Não via nada disso no espelho porque não gostava de se olhar. Maria Estúpida ficou conhecida assim, ninguém sabia seu nome verdadeiro; também isso não importava, era estúpida. Não que lhe faltassem predicados. Diziam que a moça era prendada, fazia trabalhos manuais, tinha noções de enfermagem, conhecia as burocacrias das repartições, e nada disso servia. Ela precisava usar seus dons para ser útil e não sabia como. Essa Maria Estúpida, respondona e reclamona. Os garotos da vizinhança gostavam de provocar a Estúpida, só para se divertirem com a reação dela.  Ninguém mais perdia tempo se aborrecendo com suas chatices.

Danielle A. Giannini