Banco de personagens: Daniela magrela

Daniela magrela queria compor versos. Não sabia catar palavras, mas acreditava que tinha uma sina carregada no seu nome. Daniela pensava que ela era a própria rima, pois por ser magra de verdade, todos a chamavam Daniela magrela. Tanta magreza não lhe rendeu o dom de rimar, talvez por ser pobre mesmo a rima de seu nome e de sua alma. Não sentia com emoção, sequer tinha fome.

Danielle Arantes G.

Banco de personagens: Diana não era invisível

Diana tinha certeza de que não era querida. Olhavam-na torto, sem sorrisos. Passava o dia com a cabeça pregada no computador, para não ser hostilizada. Pensava que o problema eram as roupas que vestia, um tanto antiquadas, talvez estivesse no próprio corpo um tanto magricela. Diana nunca atentou para os colegas. Dia a dia, chegava de olhar baixo, evitando a desaprovação de todos. Não sabia que na salinha do café, que sempre fica no final do corredor, funcionários do andar comentavam a beleza tristonha de Diana. Um deles ameaçou dizer que era soberba a moça; outro a defendeu, alegando timidez; o chefe informou que era competente e por isso não a dispensava. A mulher da limpeza, que ouvia a tudo, saiu bufando que a Dona Diana era de um azedume que fazia até indigestão. Gilberto lembrou-se do dia em que tentou uma conversa com a moça porque a achava bem interessante, sem êxito. No fundo, ninguém conhecia Diana. Diana vivia com a cabeça enterrada no computador.

Danielle Arantes Giannini