Deolinda foi à praia

 

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Esperou muito pelas férias que não chegavam nunca. Arrumou algumas mudas de roupa na mala e desceu feliz da vida para o litoral. Ela e quase todas os seres humanos habitantes do planeta. A moça queria colocar os pés na água, relaxar um pouco da correria atribulada da cidade grande, mas quase não viu o mar, não encontrou areia livre para pisar, sequer escutou o barulho das ondas porque o ar foi tomado por uma música estridente, que ela julgava de mau gosto. Em compensação, o nariz respirou uma disputada maresia. Deolinda colocou as roupas de volta na mala, inclusive o cansaço e a decepção, e subiu a serra. De volta à cidade grande, a coitada decidiu comprar um sorvete, que degustou demoradamente no banco de uma sorveteria. Parecia que estava na praia. Desfez-se do cansaço enfim.

Danielle Arantes Giannini

Croniquinhas: 7…o preço das coisas

Na vitrine a plaquinha diminuta anunciava os preços de tantos produtos, todos identificados por números, que era definitivamente impossível descobrir quanto custava a blusinha vestida no manequim da direita. Decidida a obter a útil informação, a consumidora entrou na loja e foi recebida por uma vendedora toda emperiquitada com os produtos da marca. Solícita, porém sem esboçar um sorriso, a funcionária comunicou-lhe que todos os preços estavam afixados na vitrine. Perguntou ainda maquinalmente se podia ajudar em mais alguma coisa.