Palavras são para degustar

degustarA construção do texto guarda semelhanças com o preparo de um prato. Quando pensei isso, talvez eu realmente estivesse com fome, fato é que cheguei à conclusão de que escrever e cozinhar são atos semelhantes, com movimentos parecidos e fins quase idênticos.

O preparo do prato começa efetivamente com a escolha do que vamos comer ou servir. Sim, isso mal foi ao fogo e já está cheirando bem, pois não escolhemos o que queremos escrever antes de pegar papel e caneta ou abrir o editor de texto do computador? Decidido o menu, passamos para a escolha dos ingredientes, e que sejam de qualidade! Um bom azeite, legumes selecionados, condimentos e temperos frescos, tudo interfere no sabor, tal como as palavras apropriadas, construções sintáticas, correção gramatical … Tudo junto, na medida certa, e uma mensagem clara a se transmitir, e voilà um texto delicioso, eficiente, daqueles que matam a fome do leitor. E o leitor quer comer o quê? De tudo, desde o mais calórico hambúrguer até um requintado guisado, passando pelo cordeiro assado, saladinha de folhas verdes, arroz com feijão e tudo que puder ser mastigado e digerido. Com os textos é assim também, o bom de garfo vai aproveitar um bilhetinho para a faxineira, uma mensagem no celular, um orçamento claro e preciso, um relatório esclarecedor e mais, muito mais, um romance envolvente, uma dissertação inovadora, poemas tocantes, enfim, cada leitor com a sua preferência ou necessidade.

Quando nós tomávamos sopa de letrinhas já estávamos sendo preparados mesmo para essa coisa toda da escrita, não era conversa fiada das nossas mães, não.

Palavras para pensar

“Todos os teus pensamentos atuam nas mentes que te rodeiam.
Todas as tuas palavras gerarão impulsos nos que te ouvem.
Todas as tuas frases escritas gerarão imagens nos que te leem.
Todos os teus atos são modelos vivos, influenciando os que te cercam.”

(Emmanuel, Fonte Viva)

Pensar faz bem…

… para a alma, para o corpo, para a mente! Pensar é bom, não custa nada, só que às vezes os pensamentos saem todos atrapalhados. Aconteceu hoje, depois de mais de ano e meio, de eu me reclinar para pensar. Pensar em qualquer coisa fora da rotina e na própria rotina. Eis que os assuntos saíram de seus lugares, onde estavam estratificados, e se acotovelaram todos, trombaram aqui e acolá, queriam tomar a vez do outro, e nada, nada se organizou na minha mente. Mesmo assim foi bom para relaxar, pois os assuntos se movimentaram no cérebro e deu um alívio. Pensamentos são assim, precisam escapar, mesmo que de por poucos instantes. Se conseguirem ganhar a forma de palavras, então, que euforia. Como estava desacostumada dessa coisa de pensar os assuntos que não estão na agenda do dia – mas deveriam estar – precisei de estímulos, uma piscina cercada de árvores, ouvidos na conversa dos pássaros e duas ou três páginas de um livro maravilhoso “A Vida: Modo de Usar”, de Georges Perec. Quem recomendou foi minha amiga Alessandra há bastante tempo, mas só recentemente a Cia das Letras reeditou o dito cujo. Tentei antes a versão em francês, mas era francês demais para meu vocabulário humilde, para não dizer mínimo. Um deleite ler algo que foi planejado e escrito com a elaboração merecida, principalmente na minha condição de leitora diária de toda sorte de amontoado de palavras … ossos do ofício. Por tudo isso, pensar é bom; escrever, melhor ainda.
Vou reservar um tempo para os pensamentos que hoje se atrapalharam entrarem num consenso e se colocarem em fila, pois há de ter vez para todos!