Pintura das palavras


Vi com uma admiração sem tamanho como este pintor cuidava de seu jardim. Um delicado e branco jardim de margaridas. Não quis incomodar o rapaz, por isso não conversei com ele; apenas um clique rápido, com o telefone mesmo, e retirei-me para admirar a cena a certa distância. Não gosto de interromper quem quer que seja em sua criação, em sua arte, em sua sensibilidade. Para ser honesta, tampouco gosto de ser incomodada quando estou criando, seja o que for. As pessoas à minha volta já se acostumaram quando eu digo: “espere, estou criando”. Pode parecer pedante, mas não, é apenas minha franqueza, querendo dizer “ei, estou pensando em algo e se eu parar agora, vai tudo por água baixo”. Deve ser assim com todo mundo que cria, embora haja aqueles muito gentis, que não sabem dizer “afastem-se, por favor”, e o que devem sofrer com isso. Também tem gente que gosta de ser visto enquanto pinta um quadro ou faz um desenho; cada um é cada um. O que eu quero mesmo comentar hoje é a leveza da criação; ela que mobiliza todo o corpo. Veja, o rapaz da foto, que harmonia, como seu corpo fala que ali alguém está inteiramente mergulhado na sua arte. Escrever é assim, requer postura de mãos, de coluna, postura de mente. Não vejo como escrever desleixado, de cabeça para baixo e pés para cima do sofá, pelo menos eu não consigo. É questão de organizar corpo, mente e sensibilidade, predispor-se à inspiração, para acontecer o processo mágico e poderoso da criação, como se a cada texto fôssemos pintar um jardim de margaridas. Se quer escrever, vamos às nossas margaridas!

Por: Danielle Arantes Giannini

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Entre o fazer e o não fazer

Se você está em dúvida entre escrever e não escrever, escreva. Entre pintar e não pintar? Pinte. Entre compor e não compor? Componha. Entre criar e não criar? Crie. Mas escreva, pinte, componha, crie somente se todas as células do seu corpo estiverem envolvidas, com o desejo incontido de fazer algo novo surgir; apele para a mente e para a alma, consulte suas memórias passada, presente e futura, despreze os preconceitos e veja se ainda assim restou a vontade de criar. Então escreva, pinte, componha, crie, mas faça isso se puder suscitar um bom sentimento. Se for para destruir, desiludir, desencorajar, desmoralizar, deixe a criação pra lá; sente-se, respire fundo, coma um chocolate. Aos poucos as células vão serenar, a vontade vai passar e a vida vai seguir. Pense nisso!

Danielle A. Giannini

O exercício da mente

 Experimente praticar exercícios físicos regularmente. Será ótimo, dia a dia seus limites vão se ampliando, aumenta a agilidade, vem a rapidez, o corpo fica mais flexível, músculos rijos, tonificados, que satisfação! Cada vez que você exercita o corpo, fica  melhor. Agora experimente parar por um longo tempo, talvez um, dois anos, mais até. Depois volte a se exercitar. O que aconteceu com seu corpo? Parece que enferrujou? Dói tudo? É assim mesmo, menos treino, pior. Se funciona desse jeito com o corpo, imagine com a mente! É tudo a mesma coisa. Experimente ler regularmente. Será ótimo, página  a página seu repertório vai aumentando, o raciocínio fica rápido e ágil, ampliam-se os horizontes, até o olhar muda. Agora experimente parar de ler. Aposto que vai demorar para você ter coragem e iniciativa de abrir um livro de novo. Com a criatividade, o exercício é tudo. Sem praticar não se cria, ou não se cria algo realmente bom. É com a prática constante que vêm as ideias para aquele quadro, aquele texto, aquela escultura, enfim, aquela criação. Cada vez mais ampliam-se as possibilidades,  novas técnicas e recursos são incorporados, mais criações são realizadas porque uma ideia puxa a outra que puxa um resultado melhor e outro e outro melhor. Vem a superação. Superação do corpo, da mente, da criatividade. Experimente parar. A criatividade fica fraquinha, a mente se enche de preguiça.  Portanto a receita é exercitar.  Experimente. Com persistência! Ou sua criatividade vai ficar fraquinha, e a mente cheia de preguiça.

Danielle A. Giannini