acúmulo

Puxa vida, quantas palavras não foram escritas desde que a vida atropelou a rotina nos últimos meses. Não ficaram perdidos todos esses vocábulos, claro que não, foram se acumulando, juntando um com o outro, uns mofaram, outros secaram, alguns desistiram e teve um bocado deles que sobreviveu. Vamos enfim colocar todas as palavras em fila, cada qual no seu lugar de partida e seguir adiante, que o ano já passa do meio. Se você já deixou palavras acumularem, sabe do que estou falando, há de ser solidário. Caso nunca tenha experimentado esse desconserto, não zombe do fato. Tantas são as palavras seguradas, que agora falham, ou estariam tímidas? Creio que necessário se faz ter com elas uns acertos, para que voltem todas aos meus textos.

Danielle Arantes Giannini

Venha cá, inspiração querida!

cafe-inspira

Reservei parte do meu dia para escrever. Livrei-me dos compromissos na rua, cheguei em casa, vi bagunça espalhada e fui dar uma ajeitadinha. Casa limpa areja a mente. Bem, como havia uma pilha de livros e papéis sobre a mesa, achei por bem guardar o que não era urgente e jogar fora o que não prestava. Já que fiz isso na mesa, resolvi fazer também no escritório todo, assim rapidinho. Três sacolas de papéis picados depois, uma hora e meia tinha se passado. Ótima a sensação de leveza. Como é bom desvencilhar-se de inutilidades! Só que depois doeram-me as pernas, veio a fome, mensagens de amigos distantes pelo celular, banho relaxante e finalmente chegou nosso momento, eu e ele, o teclado do computador. E nada. Zero inspiração. O avançado da hora, pra mais de onze e meia da noite, não me recomendava nada à base de cafeína. Era eu e a tela branca, eu e as palavras fugidias. As palavras resolveram zombar do meu cansaço, cruzaram todas elas as pernas e recusaram-se a me servir. Quem sabe ler umas páginas ajuda. Estou com algumas leituras abertas: Manoel de Barros, Cecília Meireles, um livro sobre a Doutrina de Buda e uma obra sobre psicologia espírita, de Joanna de Ângelis. A ver de onde vem a inspiração, esta que me renega justo hoje que me guardei para ela!
E o celular não para de fazem plim-plim…

Danielle Arantes Giannini

Se a mente estiver negativa, pode ser ruim…ou não! Leia em https://doreseganhos.wordpress.com/2017/01/18/tirando-vantagem-das-negatividades/

Palavras são para degustar

degustarA construção do texto guarda semelhanças com o preparo de um prato. Quando pensei isso, talvez eu realmente estivesse com fome, fato é que cheguei à conclusão de que escrever e cozinhar são atos semelhantes, com movimentos parecidos e fins quase idênticos.

O preparo do prato começa efetivamente com a escolha do que vamos comer ou servir. Sim, isso mal foi ao fogo e já está cheirando bem, pois não escolhemos o que queremos escrever antes de pegar papel e caneta ou abrir o editor de texto do computador? Decidido o menu, passamos para a escolha dos ingredientes, e que sejam de qualidade! Um bom azeite, legumes selecionados, condimentos e temperos frescos, tudo interfere no sabor, tal como as palavras apropriadas, construções sintáticas, correção gramatical … Tudo junto, na medida certa, e uma mensagem clara a se transmitir, e voilà um texto delicioso, eficiente, daqueles que matam a fome do leitor. E o leitor quer comer o quê? De tudo, desde o mais calórico hambúrguer até um requintado guisado, passando pelo cordeiro assado, saladinha de folhas verdes, arroz com feijão e tudo que puder ser mastigado e digerido. Com os textos é assim também, o bom de garfo vai aproveitar um bilhetinho para a faxineira, uma mensagem no celular, um orçamento claro e preciso, um relatório esclarecedor e mais, muito mais, um romance envolvente, uma dissertação inovadora, poemas tocantes, enfim, cada leitor com a sua preferência ou necessidade.

Quando nós tomávamos sopa de letrinhas já estávamos sendo preparados mesmo para essa coisa toda da escrita, não era conversa fiada das nossas mães, não.

A criatividade não brota do nada

A criatividade não brota do nada, ela é estimulada ou reprimida, dependendo do que se faz para favorecê-la ou condená-la à inanição. Depende de exercício, muito exercício. O quanto você exercitá-la será a medida da sua capacidade de criação. Se exercitar diariamente, ela fluirá quase autônoma; se deixar de exercitar, será sofrida, doerá. A criatividade também gosta de uns mimos, vitaminas, isto é, se pretende estimular a criatividade para escrever, então leia, leia de tudo bom e não tão bom assim. Se a sua intenção é ter criatividade ativa para pintar, olhe as pinturas, veja quadros. Se quer criar músicas, escute, dance, cante. Essas vitaminas, além de representarem um verdadeiro alento a você, servem para impulsionar a força criativa que às vezes deixamos enfraquecer por descuido ou falta de uso.

 

Danielle Arantes Giannini

Se conselho fosse bom…

Se conselho fosse bom…

Para escrever um texto, você não precisa só de palavras e ideias. Você deve ter a cabeça pensante, o pensamento vibrante e o cérebro ventilado. Porque escrever não é vomitar palavras. As palavras são senhoras respeitáveis, não são restos indigestos de raciocínio. Se quiser amontoar palavras bonitas em uma, duas ou muitas linhas, esqueça, isso não é escrever um bom texto, isso é afrontar o destino das ideias. Se estiver com pressa, então, prepare-se para a revolta da coerência, que não poupa ninguém, nem uma vírgula. Por isso não seja tolo, deixe de desperdiçar seu tempo misturando palavras que não se dão bem. Dê uma pausa, vá tomar um café, um champagne talvez. Experimente um chocolate, biscoitos, essas gulodices que fazem o maxilar mexer-se e ativam a circulação. Depois disso, se você ainda estiver disposto a escrever algo que se encaixe no mundo dos textos a serem lidos com gosto por alguém, coloque toda sua energia a serviço dos sentidos do sentir e dos sentidos do significado. Aí, sim, parta para a experiência única de escolher palavras e dispô-las cuidadosamente numa linha reta, para que não caiam e se espatifem no pé da página. Mas seja honesto com as palavras, pois elas não relevam. Agarre-se ao bom senso, para que seu texto não seja atirado ao rol poeirento das inutilidades escritas, afinal, o leitor também merece consideração.

Danielle Arantes Giannini