Poeminha para quem dói

Dor

 

Teve dores na alma

Para as quais não encontrava comprimidos

Deixou o corpo deitado

As dores não cessavam

Quanto mais esperava

Mais doía-lhe o ser

Por quanto tempo ficou ali não sabe

Era confortável a companhia da dor.

 

Danielle Arantes Giannini
(15/01/17)

Banco de personagens: Maria Estúpida

O sentimento de ser não existia naquela mulher, dura de coração, gélida na alma, feia de traços. Não via nada disso no espelho porque não gostava de se olhar. Maria Estúpida ficou conhecida assim, ninguém sabia seu nome verdadeiro; também isso não importava, era estúpida. Não que lhe faltassem predicados. Diziam que a moça era prendada, fazia trabalhos manuais, tinha noções de enfermagem, conhecia as burocacrias das repartições, e nada disso servia. Ela precisava usar seus dons para ser útil e não sabia como. Essa Maria Estúpida, respondona e reclamona. Os garotos da vizinhança gostavam de provocar a Estúpida, só para se divertirem com a reação dela.  Ninguém mais perdia tempo se aborrecendo com suas chatices.

Danielle A. Giannini