Banco de personagens: Maria Ghitta

Maria Ghitta chegou na cidade antes do amanhecer e viu tanto movimento na rua, que duvidou do relógio. Não era mentira, ela estava mesmo ouvindo impropérios arremessados de um carro a outro em meio ao congestionamento precocemente matinal. Os tais palavrões chocaram-se com o vidro da janela fechada do automotivo ao lado e tombaram no asfalto ainda frio das primeiras horas do dia. Até a noite, outros muitos palavreados se juntariam àqueles.

Danielle Arantes Giannini

Banco de personagens: Agenor parou

Nunca dava atenção a ninguém nem a nada que não fosse um de seus inúmeros compromissos. Precisava ganhar a vida e isso era o bastante, talvez fosse muito para um homem atribulado. Todo dia era a mesma coisa, chateação no trânsito, brigas e brigas com o funcionário Muniz, que demorava mais de meia hora para almoçar, e atrasos, nossa, quantos atrasos. Não dava tempo de cumprir toda a agenda e isso perturbava demais esse homem de pouco mais de trinta anos, sem família constituída e sem horas de lazer. Outro dia no congestionamento, quase enlouqueceu de raiva com o celular que não queria funcionar, e precisava falar com uma pessoa urgentemente. É, não tinha jeito, o veículo nem saía do lugar, e Agenor decidiu abrir a janela e olhar para o lado. Viu a cidade pela primeira vez. Viu o parque à sua direita, um parque enorme, cheio de gente naquele fim de tarde. Quis estar lá. O cérebro de Agenor quase entrou em colapso.

Danielle A. Giannini