Como nasce o texto IV – O Autor

 Se você gosta de escrever e tem facilidade com as palavras, tanto melhor, seus textos terão uma boa chance de serem bons. Se você não gosta de escrever, isso não é um problema tão grande, desde que desenvolva certas competências linguísticas. Gostar da escrita é uma vantagem, porém não é garantia de resultados satisfatórios. O que mais então é preciso para ser um autor?

Antes de tudo, muita paciência e também certa dose diária de leitura, pois sem ler a mente vai se acomodando e as possibilidades de quem escreve se restringem a quase nada, uma vez que não se interiorizam modelos. Modelos são palavras, expressões, estruturas sintáticas e toda gama de variações linguísticas possíveis em um texto. À medida que lemos, automaticamente registramos estes modelos, que nos são acessíveis sempre que necessário. Não que o ato de escrever seja cópia de textos lidos, longe disso, é antes a exploração de possibilidades inesgotáveis constituídas a partir de tudo o que aprendemos e interiorizamos a partir de nossas observações, sensações, experimentações e vivências.

Em suma, é o repertório que se forma ininterruptamente através da vida que vai agir como fator preponderante na confecção de um texto. Por isso, além da leitura acrescentar conteúdo, sem contar outros inúmeros benefícios, ela fornece ferramentas para desenvolvermos a habilidade da escrita. Portanto não ter na leitura um hábito, qualquer que seja o nível desta leitura, é praticamente um tiro no pé de qualquer ser pensante que tenha a intenção de escrever.

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Bom de ouvir!

Depois ninguém entende por que eu sou apaixonada por rádio. Hoje cedo, a caminho do trabalho, tive uma surpresa enquanto escutava o noticiário na Jovem Pan AM. Após ter seus repórteres de esporte impedidos de entrarem nos campos de futebol para fazerem entrevistas, a JP apelou para a Justiça e conseguiu liminar que garante aos seus profissionais o livre exercício das suas funções. Essa notícia, por si só, já é ótima, pois não se pode admitir que apenas a emissora que  paga pelo direito de transmissão possa entrar no gramado, mas o que me encantou mesmo foi ouvir Joseval Peixoto, que parou tudo para ler a liminar proferida pelo juiz Dr.Luiz Beethoven Giffoni.  Texto belíssimo,  nas palavras e nos fundamentos, de encantar quaisquer ouvidos. Cheguei a pensar no meu pai , que costumava pinçar palavras novas no dicionário para usar nas aulas que ministrava da Faculdade de Direito.  Palavras que não se ouvem por aí porque agora tudo ficou mais simples, embora não necessariamente mais claro. Gostei de ouvir o que  Dr. Giffoni escreveu, sem dúvida, inspirado pelo saber das letras e das leis. Que bom seria se nós brasileiros falássemos um pouco melhor, só um pouco, pelo menos sem cometer impropriedades que desacorçoam . Que bom seria se não tivéssemos que aguentar gerúndios aos borbotões, “mim” conjugando verbo, e pior, aquela irritante pronúncia presidencial do pronome “nós”, que virou “nóis”, sem pudor algum. Eu gostaria de ouvir e ler textos tão expressivos e ricos todos os dias, que  presente!

Atualização – Poeminhas para aliviar a tensão

Foi publicado mais um poema na página “Poeminhas para aliviar a tensão”. O poema não é novo, foi escrito há bastante tempo, mas tem que ser assim porque ando muito feliz para escrever poemas, e com alegria os versos não nascem; se nascem, ou são dispensáveis ou são eufóricos, o que não vai bem com poesia.

Jornal de Poesia

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Existe um site delicioso para quem gosta de poesia, o Jornal de Poesia, editado pelo jornalista Soares Feitosa, de Fortaleza. No ar desde 1996, tem de tudo quanto é verso e também uma porção de prosa sobre poetas de todos os tempos. Entre muitas curiosidades, encontrei uma página utilíssima com links para dezenas de sites de poesia, certamente um trabalho de garimpagem sem igual. Durante a navegação, aparecem fotos aleatórias que não estão lá à toa, são botões que direcionam o internauta para o site do autor correspondente, ótima ideia. A primeira página que visitei foi a de Álvares Alves de Faria. Eu o conheci como “Poeta” quando completei 18 anos e fui trabalhar na redação da Rádio Jovem Pan AM, em São Paulo. Na minha ignorância, custei uns meses para descobrir quem ele era afinal e qual era sua expressividade no cenário literário. Ainda bem que ignorância é coisa que (às vezes) passa com um pouco de empenho e vontade. Bem, quem não conhece ainda o Poeta Álvaro Alves de Faria ou conhece e quer acompanhar sua página no Jornal de Poesia, pode clicar no link abaixo.

http://www.jornaldepoesia.jor.br/aalves.html

Jornal de Poesia é um site que merece ser visitado regularmente.

http://www.jornaldepoesia.jor.br

Quem tem medo do lobo mau?

 

O lobo mau anda por aí se arrastando pesado pelas nossas ruas e quer atacar todo mundo. Pelo menos todo mundo que está dando importância para ele. Por motivos pessoais que não vêm ao caso e por razões profissionais, preciso notar que ele existe, tem pernas, caminha livremente sem o menor pudor, esbarrando em quem vier em sua direção. Tenho ficado escondida atrás de árvores, postes, às vezes me disfarço de transeunte, tudo para olhar para ele e saber o que pensa, afinal, de nós mortais que somos a vovozinha prestes a ser devorada pelo monstro. O lobo mau tem nome e atende por Reforma Ortográfica . Sua aparição não agradou nem gregos nem troianos, nem brasileiros, nem portugueses, nem africanos, creio que só editores e livreiros acariciam o bicho. Fato é que ele anda assustando muita gente que quer andar na linha e não fazer feio com as palavras, e eu tenho ido junto, de carona, tentando esforçar-me ao máximo para achar natural uma palavra “destremada” – lobo faminto, perdoe-me o neologismo. Estou prestes a ser devorada pela criatura de olhos esbugalhados nos hífens que não sabemos mais usar e nos acentos que fazem falta, sim, senhor. Eu tenho medo do lobo mau às vezes, no escuro, quando estou desprevenida; queria mesmo que ele se fosse, descabido, para não voltar a nos atormentar mais. Os irmãos portugueses bem que estão a tentar, tomara!