acúmulo

Puxa vida, quantas palavras não foram escritas desde que a vida atropelou a rotina nos últimos meses. Não ficaram perdidos todos esses vocábulos, claro que não, foram se acumulando, juntando um com o outro, uns mofaram, outros secaram, alguns desistiram e teve um bocado deles que sobreviveu. Vamos enfim colocar todas as palavras em fila, cada qual no seu lugar de partida e seguir adiante, que o ano já passa do meio. Se você já deixou palavras acumularem, sabe do que estou falando, há de ser solidário. Caso nunca tenha experimentado esse desconserto, não zombe do fato. Tantas são as palavras seguradas, que agora falham, ou estariam tímidas? Creio que necessário se faz ter com elas uns acertos, para que voltem todas aos meus textos.

Danielle Arantes Giannini

mais um poeminha para quem ainda dói

ainda a dor

 

como a dor dilacera

a ferida não fecha

rompem-se os nervos

a mente voa para um tempo indesejado

passa o dia pesaroso

cai a noite solitária

cada pedaço de mim arde em vazios

ausências minhas

nada preenche que afague

só falsos suspiros

esses eu não quero

o meu desejo é o meu encontro

Onde?

 

Danielle Arantes Giannini

Poeminha para quem dói

Dor

 

Teve dores na alma

Para as quais não encontrava comprimidos

Deixou o corpo deitado

As dores não cessavam

Quanto mais esperava

Mais doía-lhe o ser

Por quanto tempo ficou ali não sabe

Era confortável a companhia da dor.

 

Danielle Arantes Giannini
(15/01/17)

Quando se perde um amor

Perdi o amor
Ganhei a poesia
Recuperei os versos que havia preterido
Em troca de um amor tranquilo
Passou o vento e tudo levou
A poesia, fiel companheira
Sem mágoas, sem máculas,
Sem me desprezar, sem me zombar,
Foi se achegando e instalou-se enfim
No lugar que dela sempre foi
Não fez cobrança
Não fez promessa
Pediu papel e caneta
Era hora de voltar ao trabalho.

(Danielle Arantes Giannini)

Sobre ilusões, leia novo post no Blog Dores & Ganhos
http://doreseganhos.wordpress.com

 

Para onde?

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Cansou de falar

Falou tanto, que as palavras estavam exaustas

Cansou de chorar

Exauriram-se as lágrimas

Cansou de pensar

A mente em colapso turvou-lhe a vista

Decidiu caminhar na mata

Ouvir a algazarra dos pássaros

Eles, sim, tinham o que dizer

Mas sua mente não entendia

Escutou as próprias pegadas

Não sabiam para onde estavam indo

Deixou-se levar

Avistou um tronco de árvore partido

Sentou-se

Demorou o quanto pôde, até ser expulso pela vigilância

Não podia permanece ali

Tinha que seguir.

Para onde?

 

Danielle Arantes Giannini
10/11/2016

 

pica-pau

Tem um casal de pica-pau atrás de mim. 
toc toc toc toc toc toc toc toc 
Estão fazendo o trabalho deles num tronco.
E dizem para mim:
“tente tente sempre tempe sem cansar, que você consegue”.
Enquanto eu escuto, continuam na árvore tentando.

Danielle Arantes Giannini