Antes de escrever

antes de escrever

Se existe uma coisa cheia de caprichos, é a escrevinhação. Você pode ter a prepotência de pensar que é só chegar, sentar, abrir o caderninho de notas ou ligar o computador e pronto, palavras vão brotando do nada, todas na sequência certa, encadeadinhas, fazendo sentido. Ilusão isso. Escrever é uma tarefa que não divide a atenção com nada. Ou o sujeito de concentra no que vai escrever ou não escreve, simples. Vou antes até, quando você decide escrever e quer fazer isso em qualquer lugar, com pessoas, com barulhos, com movimento, com lista de compromissos na cabeça, com isso com aquilo…nada feito. Parece que palavra, para nascer, quer o ambiente preparado só para ela, sem coisas que dispersam. Não se pode prestar atenção em nada mais a não ser nas palavras que vão para o texto. As conexões cerebrais só acontecem com o devido preparo. Ideias que foram sendo maturadas, estilo que foi programado, metas estipuladas, tudo sob controle, para que possa nascer o texto, até mesmo quando é a vez do improviso, esse senhor mimado que não surge do nada, só aparece em terreno adubado. Mas esse é outro assunto. Quero falar daqueles dias que o textos que quer (ou precisa) surgir fica engasgado e o mundo parece que conspira contra. Não dá para lutar. É hora de se render, deixar as coisas se acalmarem, esperar o agito acabar e então invocar as tágides do Tejo para por-se a trabalhar. Medir força com as palavras é bobagem!

Danielle Arantes Giannini

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acúmulo

Puxa vida, quantas palavras não foram escritas desde que a vida atropelou a rotina nos últimos meses. Não ficaram perdidos todos esses vocábulos, claro que não, foram se acumulando, juntando um com o outro, uns mofaram, outros secaram, alguns desistiram e teve um bocado deles que sobreviveu. Vamos enfim colocar todas as palavras em fila, cada qual no seu lugar de partida e seguir adiante, que o ano já passa do meio. Se você já deixou palavras acumularem, sabe do que estou falando, há de ser solidário. Caso nunca tenha experimentado esse desconserto, não zombe do fato. Tantas são as palavras seguradas, que agora falham, ou estariam tímidas? Creio que necessário se faz ter com elas uns acertos, para que voltem todas aos meus textos.

Danielle Arantes Giannini

Venha cá, inspiração querida!

cafe-inspira

Reservei parte do meu dia para escrever. Livrei-me dos compromissos na rua, cheguei em casa, vi bagunça espalhada e fui dar uma ajeitadinha. Casa limpa areja a mente. Bem, como havia uma pilha de livros e papéis sobre a mesa, achei por bem guardar o que não era urgente e jogar fora o que não prestava. Já que fiz isso na mesa, resolvi fazer também no escritório todo, assim rapidinho. Três sacolas de papéis picados depois, uma hora e meia tinha se passado. Ótima a sensação de leveza. Como é bom desvencilhar-se de inutilidades! Só que depois doeram-me as pernas, veio a fome, mensagens de amigos distantes pelo celular, banho relaxante e finalmente chegou nosso momento, eu e ele, o teclado do computador. E nada. Zero inspiração. O avançado da hora, pra mais de onze e meia da noite, não me recomendava nada à base de cafeína. Era eu e a tela branca, eu e as palavras fugidias. As palavras resolveram zombar do meu cansaço, cruzaram todas elas as pernas e recusaram-se a me servir. Quem sabe ler umas páginas ajuda. Estou com algumas leituras abertas: Manoel de Barros, Cecília Meireles, um livro sobre a Doutrina de Buda e uma obra sobre psicologia espírita, de Joanna de Ângelis. A ver de onde vem a inspiração, esta que me renega justo hoje que me guardei para ela!
E o celular não para de fazem plim-plim…

Danielle Arantes Giannini

Se a mente estiver negativa, pode ser ruim…ou não! Leia em https://doreseganhos.wordpress.com/2017/01/18/tirando-vantagem-das-negatividades/

croniquinhas… arqueologia do lixo

Os arqueólogos descobriram um verdadeiro tesouro: o lixo! Enfim teriam pistas dos hábitos alimentares e outros costumes dos antepassados. Menos sorte terão os arqueólogos do futuro quando encontrarem nosso lixo. Lixo atômico cibernético de zinco e lítio com sobras de garrafa pet, celulares e laptops. O legado da nossa civilização.

Danielle Arantes Giannini

O desafio da página em branco

 Texto publicado em 02 de dezembro no blog Dragonfly, criação e arte

Por onde começar quando tudo o que se vê à frente é o mais completo, alvo e por vezes desesperador branco? A tela branca, as paredes brancas do museu, a página em branco, tudo branco. Seria mais conveniente perguntar então: começar ou não começar?

Nem sempre o começo é difícil, situações estas em que o branco é um convite, um deleite, uma sensação de liberdade ímpar. Outras vezes o branco intimida e aí os bloqueios ficam à vontade, intrusos da criação.

Lembro-me de ter me invocado com uma página em branco algumas vezes, não muitas porque vou logo preenchendo todo branco com letras e mais letras, entretanto sei que devo saber quando o branco não quer nada sobre ele, nem palavras, nem quadros, nem notas musicais, não quer e ponto.  Começar ou não começar?

Nunca concordei com a desistência da criação diante do nada do início. Dá para adiar, sem previsão, não desistir. Complica quando não se pode escolher, seja porque tem data para abrir a exposição ou prazo para a entrega das ilustrações, do texto pronto e outros compromissos mais. Quando é assim, se a parede não quer um quadro, o curador vai ter que encontrar uma saída, os desenhos vão brotar no papel e as palavras precisam vir à luz, urgente, para ontem. Pronto, já está a criação nas mãos do tempo, sem o subterfúgio do adiamento, da falta de inspiração, e inspiração não é coisa que se compre em cápsulas na farmácia.

Então está feito, é o tempo que pode dominar o branco, ainda mais o tempo curto. Tem gente que se inibe, mas se a criação tem que sair, tem outro jeito?

 

Danielle A. Giannini

Conteúdo do blog “Dragonfly, criação e arte” migra para o blog “Palavras sobre palavras”

A partir de hoje, o conteúdo do blog “Dragonfly, criação e arte”,  relacionado à literatura e criação literária, será postado neste blog.

Boa leitura!

Danielle A. Giannini

Como nasce o texto V – A leitura


Ler é uma das formas mais eficazes de estar no mundo, de entender o mundo, de fazer o mundo. Apreender o sentido de um texto, seja através de um código verbal ou não-verbal, é a chave para a percepção de si próprio como indivíduo dotado da capacidade de receber mensagens decodificá-las, interagir com os signos e símbolos e a partir de então elaborar um raciocínio que leve a uma crítica, uma dúvida, uma idéia e o que mais a mente quiser. O efeito da leitura pode ser qualquer um, da alegria, satisfação à raiva, revolta ou até indiferença ou indignação frente a textos ruins ou inadequados à nossa possibilidade momentânea de entendê-lo. Também é verdade que quanto mais lemos, mais somos capazes de ler outros textos, textos mais complexos, mais difíceis, mas sutis, enfim, à medida que lemos, vamos nos formando como leitores, num crescente que se inicia na infância para acompanhar o homem sempre.

Se tudo isso funciona para nós, autores, vale na mesma proporção para eles, os leitores. No fundo, leitores somos todos nós, embora nem todos sejam ou venham a ser autores um dia. Se pretendemos que o nosso texto seja lido, é melhor considerar a existência do leitor.