mais um poeminha para quem ainda dói

ainda a dor

 

como a dor dilacera

a ferida não fecha

rompem-se os nervos

a mente voa para um tempo indesejado

passa o dia pesaroso

cai a noite solitária

cada pedaço de mim arde em vazios

ausências minhas

nada preenche que afague

só falsos suspiros

esses eu não quero

o meu desejo é o meu encontro

Onde?

 

Danielle Arantes Giannini

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Quando se perde um amor

Perdi o amor
Ganhei a poesia
Recuperei os versos que havia preterido
Em troca de um amor tranquilo
Passou o vento e tudo levou
A poesia, fiel companheira
Sem mágoas, sem máculas,
Sem me desprezar, sem me zombar,
Foi se achegando e instalou-se enfim
No lugar que dela sempre foi
Não fez cobrança
Não fez promessa
Pediu papel e caneta
Era hora de voltar ao trabalho.

(Danielle Arantes Giannini)

Sobre ilusões, leia novo post no Blog Dores & Ganhos
http://doreseganhos.wordpress.com

 

Para onde?

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Cansou de falar

Falou tanto, que as palavras estavam exaustas

Cansou de chorar

Exauriram-se as lágrimas

Cansou de pensar

A mente em colapso turvou-lhe a vista

Decidiu caminhar na mata

Ouvir a algazarra dos pássaros

Eles, sim, tinham o que dizer

Mas sua mente não entendia

Escutou as próprias pegadas

Não sabiam para onde estavam indo

Deixou-se levar

Avistou um tronco de árvore partido

Sentou-se

Demorou o quanto pôde, até ser expulso pela vigilância

Não podia permanece ali

Tinha que seguir.

Para onde?

 

Danielle Arantes Giannini
10/11/2016

 

Poeminhas para aliviar a tensão: árvores

árvores

arvore_imagem

As árvores, imponentes
Crescem o quanto querem
E nos miram do alto

As árvores impõem sua presença
Dura
Movem-se ao vendo
E, no entanto, quedam-se sob o céu

Só o céu é mais alto que as árvores.

Danielle A. Giannini

Poeminhas para aliviar a tensão: Desconsolo

Desconsolo

estrela para poema desalento

O céu fechou num azul escuro
Tal qual preto
De tão denso
Não se viam estrelas
No entanto elas estavam lá
Teimosas
Ardentes
Insinuando-se para a lua
E o céu não teve escolha
Abriu-se em êxtase
Pela noite que ia longe
Ouvindo o silêncio do universo todo
A escuridão desfez-se das trevas
Enfim a aurora irrompeu o firmamento
Estava morto o desconsolo

 

Danielle Arantes Giannini