Ser ou não ser

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Afinal quem é ele? Ou antes, quem foi ele?Ninguém sabe ao certo, mas muita gente especula, inventa, cogita, afirma e tal e tal, no entanto faltam documentos e relatos fidedignos   de revelar quem foi afinal – ou como foi – William Shakespeare. Ao ler mais uma biografia do dramaturgo disponível nas livrarias, você terá a sensação de que tudo o que sabe sobre ele é provavelmente mentira ou pelo menos uma verdade não muito verdadeira. Escrita por Bill Bryson e editada no  Brasil pela Cia das Letras, o livro traz comentários que longe de sanar as dúvidas, acendem mais a curiosidade em torno de uma das figuras mais misteriosas da cultura mundial. A leitura é prazerosa, repleta de panoramas da Inglaterra Elizabetana e conjecturas sobre Shakespeare. Quem se arriscar não vai se arrepender! Boa leitura!

Shakespeare – O mundo é um palco Uma biografia, Bill Bryson,  Companhia das Letras

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O desafio da página em branco

Por onde começar quando tudo o que se vê à frente é o mais completo, alvo e por vezes desesperador branco? A tela branca, as paredes brancas do museu, a página em branco, tudo branco. Seria mais conveniente perguntar então: começar ou não começar?

Nem sempre o começo é difícil, situações estas em que o branco é um convite, um deleite, uma sensação de liberdade ímpar. Outras vezes o branco intimida e aí os bloqueios ficam à vontade, intrusos da criação.

Lembro-me de ter me invocado com uma página em branco algumas vezes, não muitas porque vou logo preenchendo todo branco com letras e mais letras, entretanto sei que devo saber quando o branco não quer nada sobre ele, nem palavras, nem quadros, nem notas musicais, não quer e ponto.  Começar ou não começar?

Nunca concordei com a desistência da criação diante do nada do início. Dá para adiar, sem previsão, não desistir. Complica quando não se pode escolher, seja porque tem data para abrir a exposição ou prazo para a entrega das ilustrações, do texto pronto e outros compromissos mais. Quando é assim, se a parede não quer um quadro, o curador vai ter que encontrar uma saída, os desenhos vão brotar no papel e as palavras precisam vir à luz, urgente, para ontem. Pronto, já está a criação nas mãos do tempo, sem o subterfúgio do adiamento, da falta de inspiração, e inspiração não é coisa que se compre em cápsulas na farmácia.

Então está feito, é o tempo que pode dominar o branco, ainda mais o tempo curto. Tem gente que se inibe, mas se a criação tem que sair, tem outro jeito?

Conteúdo do blog “Dragonfly, criação e arte” migra para o blog “Palavras sobre palavras”

A partir de hoje, o conteúdo do blog “Dragonfly, criação e arte”,  relacionado à literatura e criação literária, será postado neste blog.

Boa leitura!

Danielle A. Giannini

Concurso literário e analfabetismo

Um incentivo a mais para quem acaba de se inserir no mundo das palavras, o concurso Literatura para Todos. Destinado aos que o Ministério da Educação classifica como “neoleitores”, o concurso tem a incumbência de democratizar o acesso à leitura, constituir um acervo bibliográfico literário específico para jovens, adultos e idosos recém alfabetizados e criar uma comunidade de leitores. Podem participar jovens, adultos e idosos em processo de alfabetização pelo Programa Brasil Alfabetizado e matriculados nas turmas de educação de jovens e adultos das redes públicas de ensino, além de estudantes dos países lusófonos da África. As categorias são: prosa (conto, novela ou crônica), poesia, texto de tradição oral (em prosa ou em verso) e perfil biográfico e dramaturgia. Os vencedores receberão prêmios no valor de R$ 10 mil. No ano passado, foram inscritos 729 trabalhos. Então mãos à obra e que este número cresça, para mostrar que a realidade do Brasil pode ser muito diferente, com mais leitores e autores e, consequentemente, cabeças pensantes. Que sirva de incentivo aos que ainda não se aventuraram a descobrir o poder da escrita, e estes são muitos por aqui, mais de 14 milhões, e pior, o Brasil é um dos campeões em analfabetismo na América Latica, uma posição vergonhosa, que coloca à prova os eventuais esforços dos governos municpais, estaduais e federal. Que este concurso sirva para alavancar outras medidas realmente eficazes no combate ao analbatebismo que só faz perpetuar as diferenças sociais no país.

Texto novo na página “Narrativas”

“Acostumou-se desde menina a andar curvada sob as responsabilidades que jogaram sobre ela. Sua mãe fez o que pôde para dar um bom sustento e uma educação de nível, e dava também sem perceber uma boa dose de peso à menina que nada sabia da maldade humana, apenas que devia ser exemplar, para não dar pano para a manga das pessoas faladeiras. Imagine …” (Para ler o texto completo, clique no link “Narrativas” na coluna à direita.)

Como nasce o texto V – A leitura


Ler é uma das formas mais eficazes de estar no mundo, de entender o mundo, de fazer o mundo. Apreender o sentido de um texto, seja através de um código verbal ou não-verbal, é a chave para a percepção de si próprio como indivíduo dotado da capacidade de receber mensagens decodificá-las, interagir com os signos e símbolos e a partir de então elaborar um raciocínio que leve a uma crítica, uma dúvida, uma idéia e o que mais a mente quiser. O efeito da leitura pode ser qualquer um, da alegria, satisfação à raiva, revolta ou até indiferença ou indignação frente a textos ruins ou inadequados à nossa possibilidade momentânea de entendê-lo. Também é verdade que quanto mais lemos, mais somos capazes de ler outros textos, textos mais complexos, mais difíceis, mas sutis, enfim, à medida que lemos, vamos nos formando como leitores, num crescente que se inicia na infância para acompanhar o homem sempre.

Se tudo isso funciona para nós, autores, vale na mesma proporção para eles, os leitores. No fundo, leitores somos todos nós, embora nem todos sejam ou venham a ser autores um dia. Se pretendemos que o nosso texto seja lido, é melhor considerar a existência do leitor.

O filósofo e o político

Seneca

Não é de pouco tempo que os políticos perderam a credibilidade. Muito se deve ao descompasso entre suas ações e suas palavras. A maioria é traída pelo que fala. São discursos e mais discursos, poucas vezes curtos, feitos de improviso ou pensados antecipadamente por assessores dedicados … aos próprios políticos ou aos seus cargos. O que se tem visto ultimamente é uma proliferação descabida de impropriedades que mancham o cenário político e atordoam a sociedade. Os dispositivos para se compor um discurso são muitos, e sempre surgem mais outros. O bom uso de tais dispositivos pode representar uma boa cartada do político, no entanto, quando se extrapola o bom senso, é fácil cair no ridículo. José Sarney, na tentativa de defender a si mesmo de acusações diversas “de inadequação” ao sistema, citou o filósofo Seneca. Sempre valoriza um discurso a citação de um filósofo, mas não foi bem assim. Leia dois momentos do discurso do político maranhense (eleito pelo Acre):

“…tendo a plena convicção de que sempre agi dentro do melhor interesse do Senado Federal, que jamais pratiquei qualquer ato que não se amparasse completamente no meu sentimento profundo da ética e da lei (…) Seneca dizia que as grandes injustiças só podem ser combatidas com três coisas: silêncio, paciência e o tempo.”

A enxurrada de palavras não diz absolutamente nada, mesmo com o suposto aval de Seneca, que nem de longe se referiu a políticos de comportamento duvidoso. Julgamentos políticos à parte, vamos ao que o senador disse.

Ter convicção de agir dentro do melhor interesse do Senado não significa agir pelo interesse do povo, aliás ninguém sabe quais são os reais interesses do Senado, nem nos melhores interesses nem os piores ( o Senado deveria ter piores interesses?).  Ele também disse não ter praticado  atos que não se amparassem pelo sentimento da ética e da lei. Outro problema aqui, pois atos políticos não deveriam ser amparados por sentimentos, e sim pelas necessidades concretas da nação. Também não me lembro de ter ouvido que ética e lei são sentimentos. Não deveriam ser, e o senador deveria saber disso. “Sentimento profundo” é algo bom ou ruim? Alguém poder ter um sentimento profundo de ódio ou de amor. Fica a dúvida. A seguir, as palavras de Seneca, sem qualquer coesão com o que estava sendo dito antes, assim jogadas mesmo, como uma pedra da testa da platéia, como quem diz: “agora não dá para refutar, as palavras são de Seneca”. Se é assim, então nem vamos comentar, afinal, quem está sofrendo injustiças somos nós brasileiros; que tenhamos então a esperança de que certos políticos permaneçam em silêncio, tenham a paciência de aprender a agir pelo interesse da coletividade e usem o tempo para moralizar sua própria conduta. Como se vê, as palavras podem ser perigosas quando usadas com descaso.