Petição de 100 folhas: pra que, pra quem?

Este oportuníssimo texto publicado no blog “Para Mudar Paradigmas” fez-me lembrar de um professor da Faculdade de Jornalismo num dos primeiros dias de aula. Luiz Egypto, jornalista que muitos devem conhecer, disse aos desavisados calouros da minha turma da PUC no ano de 1989: “Escrever é cortar palavras”. Eu não sabia que a frase continha todo o conhecimento de que eu precisava para me graduar. E hoje tive a sorte de ler uma reflexão muito coerente e verdadeira sobre o assunto na área do Direito. Ou seja, a lição vale para todos! Boa leitura. Para mais, acessem http://www.pedromaganem.com

Para Mudar Paradigmas

Um dia desses, ao analisar um processo, vi uma petição que continha mais de 100 (cem) folhas, isso mesmo, MAIS DE CEM PÁGINAS! E, por incrível que pareça, o próprio advogado que escreveu a petição, durante uma audiência, disse que já escreveu uma peça recursal para os Tribunais Superiores com mais de 1000 (mil) páginas.

Assim, percebe-se que ainda nos dias de hoje é possível ver petições volumosas, repetitivas, infestadas de “jurisprudências” (que, muitas vezes, sequer possuem relevância com o tema), nomeadas e com pedidos totalmente diferentes do seu real objetivo.

Com relação à petição de 100 páginas (que já acho um “exagero exagerado”), se, por acaso, pensam que, devido ao tamanho, seria recheada de teses, argumentos ou outras questões pertinentes e importantes para o julgamento do pleito, se equivocaram.

Dessas 100 páginas, a maior parte era de “jurisprudências” e de repetições e mais repetições, mais especificamente “enchimento…

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Termo inadequado

Lendo uma porção de textos esta semana, notei que a observação que eu mais fiz foi: “termo inadequado”.  Como encontrei termos inadequados!!! Parece que está difícil encontrar a  palavra certa. Talvez porque de um jeito ou de outro as pessoas pensam que vão se fazer entender, talvez por conta da pressa que convence quem escreve a usar qualquer palavra, talvez porque usar o dicionário seja cansativo ou demorado. Há quem se beneficie com o uso de termos inadequados, como os advogados, que encontram nesses termos as brechas nas leis; creio que outro bocado de gente veja conveniência nos termos inadequados, mas são inadequados por conveniência, têm lá seu valor. O que  maltrata o leitor (ou o ledor) são os termos inadequados porque não deveriam ter sido usados. Seria interessante alguém lançar um movimento a favor da busca do termo adequado, talvez não houvesse mais tanto malentendido.

Salut!

Do que é feita a majestade?

coroa

Há palavras que carregam uma carga de significado que superam as ilimitadas possibilidades do imaginário. Uma delas é a intrigante palavra “rei”, em todos os idiomas, ou pelos menos todos os idiomas que conheceram um rei, próprio ou emprestado por afinidade.  O rei é o soberano de um reino, o grande, quer dizer, o máximo, e onde quer que esteja, desfruta dos privilégios da realeza.  O rei da selva não é importunado por ninguém e tudo tem que sair do seu jeito; do contrário, coitados dos outros bichos . Não foi assim com os reis de França? Fizeram verdejar jardins geometricamente esplendorosos, criaram estilos que viriam a ser sinônimo do requinte supremo – qual é a casa abastada que não exibe uma cadeira Luis XV ?!, usaram e abusaram de sua realeza, mas nunca perderam a majestade. Há poucos dias aconteceu com o Rei do Pop, morto em condições inesperadas e coroado com a dignidade de um verdadeiro soberano, mesmo tendo sido vítima de terríveis acusações em vida; agora que Michael Jackson não está mais entre nós, é mais rei do que nunca. Verdade é que existe rei para tudo, e quem nunca quis um reinado, mesmo que efêmero, que atire o primeiro cetro. Rei do futebol será rei mesmo sem tocar numa bola há décadas, pois assim deve ser, e assim Pelé ficou conhecido no mundo todo. Significa que ser rei é ser eterno, é uma sina vitalícia . Nessa lógica, rei tem que ser rei de algo ou algum lugar, certo? Que nada, o Rei Roberto Carlos está aí para provar o contrário; ele é simplesmente o rei, e acabou… Tudo isso sem falar no astro-rei, que dispensa apresentações. Alguns reis empenham-se mais do que outros, como o rei da Galiléia, que há quase dois mil anos tenta colocar o homens na linha. Até afeto contém esta palavra: na Bahia, pessoa querida virou “meu rei”, não sabe?!De carona nas bem-aventuranças da realeza, tem um bocado de gente querendo sentar-se ao trono para alavancar os negócios; conheço uma cidade em que boa parte do comércio leva o nome de rei: em Ubatuba, tem Rei do Peixe, Rei do Camarão, Rei das Batidas,  Rei do Escapamento, Rei disso, Rei daquilo e também alguém que quis ser mais e deixou essas banalidades de rei pra lá e intitulou seu estabelecimento de “O imperador”, mas essa é outra história.

Quem tem medo do lobo mau?

 

O lobo mau anda por aí se arrastando pesado pelas nossas ruas e quer atacar todo mundo. Pelo menos todo mundo que está dando importância para ele. Por motivos pessoais que não vêm ao caso e por razões profissionais, preciso notar que ele existe, tem pernas, caminha livremente sem o menor pudor, esbarrando em quem vier em sua direção. Tenho ficado escondida atrás de árvores, postes, às vezes me disfarço de transeunte, tudo para olhar para ele e saber o que pensa, afinal, de nós mortais que somos a vovozinha prestes a ser devorada pelo monstro. O lobo mau tem nome e atende por Reforma Ortográfica . Sua aparição não agradou nem gregos nem troianos, nem brasileiros, nem portugueses, nem africanos, creio que só editores e livreiros acariciam o bicho. Fato é que ele anda assustando muita gente que quer andar na linha e não fazer feio com as palavras, e eu tenho ido junto, de carona, tentando esforçar-me ao máximo para achar natural uma palavra “destremada” – lobo faminto, perdoe-me o neologismo. Estou prestes a ser devorada pela criatura de olhos esbugalhados nos hífens que não sabemos mais usar e nos acentos que fazem falta, sim, senhor. Eu tenho medo do lobo mau às vezes, no escuro, quando estou desprevenida; queria mesmo que ele se fosse, descabido, para não voltar a nos atormentar mais. Os irmãos portugueses bem que estão a tentar, tomara!