O que dizer?

Tá, chegou outro ano e as personagens que transitam na nossa vida são as mesmas, talvez alguém novo, mas no geral são os mesmos rostos, vozes e discursos. Sim, muda-se a cor do cabelo, o corte, mas as palavras continuam as mesmas. Isso porque muita gente se propõe a mudar no ano novo, porém nem todo mundo sabe por onde começar (há os que começam justamente pelo cabelo … e ficam só nisso!). Cada um sabe o que quer mudar em si, ou pelo menos tenta saber, vá lá, mas se alguém quiser uma dica, a dica é ser honesto consigo e fazer uma autocrítica daquelas com muita frieza, para descobrir o que não vai bem. Um ponto de partida é relembrar as palavras que usamos no último ano, para tentar descobrir que emoções e sentimentos provocamos em que as leu ou escutou. Se mais causamos incômodos, mágoas, preocupações etc etc, então não custa nada (apesar de não ser nada fácil) começar o ano mudando as palavras, trocando aquelas usuais por outras que sejam gentis e polidas. Palavras são palavras, agora o que fazemos com elas …

Danielle A. Giannini

Anúncios

O desafio da página em branco

 Texto publicado em 02 de dezembro no blog Dragonfly, criação e arte

Por onde começar quando tudo o que se vê à frente é o mais completo, alvo e por vezes desesperador branco? A tela branca, as paredes brancas do museu, a página em branco, tudo branco. Seria mais conveniente perguntar então: começar ou não começar?

Nem sempre o começo é difícil, situações estas em que o branco é um convite, um deleite, uma sensação de liberdade ímpar. Outras vezes o branco intimida e aí os bloqueios ficam à vontade, intrusos da criação.

Lembro-me de ter me invocado com uma página em branco algumas vezes, não muitas porque vou logo preenchendo todo branco com letras e mais letras, entretanto sei que devo saber quando o branco não quer nada sobre ele, nem palavras, nem quadros, nem notas musicais, não quer e ponto.  Começar ou não começar?

Nunca concordei com a desistência da criação diante do nada do início. Dá para adiar, sem previsão, não desistir. Complica quando não se pode escolher, seja porque tem data para abrir a exposição ou prazo para a entrega das ilustrações, do texto pronto e outros compromissos mais. Quando é assim, se a parede não quer um quadro, o curador vai ter que encontrar uma saída, os desenhos vão brotar no papel e as palavras precisam vir à luz, urgente, para ontem. Pronto, já está a criação nas mãos do tempo, sem o subterfúgio do adiamento, da falta de inspiração, e inspiração não é coisa que se compre em cápsulas na farmácia.

Então está feito, é o tempo que pode dominar o branco, ainda mais o tempo curto. Tem gente que se inibe, mas se a criação tem que sair, tem outro jeito?

 

Danielle A. Giannini